Moradores pedem CPI da Água de Cedrolândia

Com cartazes e requerimento, os manifestantes pediram apoio dos vereadores na sessão dessa terça

Moradores de Cedrolândia, na zona rural de Nova Venécia, noroeste do Estado, participaram da sessão da Câmara Municipal dessa terça-feira (18) em busca de apoio dos vereadores para criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigue a má qualidade da água na comunidade.



Com cartazes pregados na entrada do prédio e com requerimento em mãos para leitura no Plenário, os manifestantes relataram o descaso da Prefeitura e da Companhia Espírito-Santense de Saneamento (Cesan) e exigiram providências do legislativo.

Cedrolândia tem cerca de mil habitantes e é a maior concentração de pessoas fora da sede de Nova Venécia. O tratamento de água na localidade foi abandonado pela Cesan, apesar do contrato assinado com o município em 2009 válido por 30 anos.

O serviço então passou a ser realizado por uma Comissão de Água de Cedrolândia (CAC), ligada à Associação de Moradores. A CAC, no entanto, não conta com os equipamentos e acompanhamento técnico necessários.

O resultado é uma água carregada de impurezas, de cor amarelo escuro e gordurosa. A água abastece toda a comunidade, que paga regularmente pelo mau serviço, por meio de faturas impressas em nome da CAC.

Nem mesmo a escola municipal está a salvo, pois é abastecida com a mesma péssima água, colocando em risco a saúde das mais de 200 crianças que ali estudam.

Em abril deste ano, o presidente da Câmara, Antonio Emilio (PPS), já havia encaminhado um ofício ao então diretor-presidente da Companhia, Pablo Ferraço, requerendo informações sobre a falta de captação, adução e tratamento de água bruta do lugar.

Em maio, um Pedido de Providência foi protocolado no Ministério Público Estadual, com relação à situação. O documento menciona, além da contaminação da água, as instalações da Estação de Tratamento de Água (ETA) também apresentam graves problemas estruturais, constatados por vistoria da Defesa Civil de Nova Venécia, realizada no final de fevereiro de 2018.

No laudo, a Defesa Civil informa que “o reservatório de água oferece risco parcial à integridade física, à vida e ao patrimônio”, com “diversas patologias, como trincas e rede elétrica com avarias, colocando os operadores e moradores em risco”.

A ausência de tratamento de esgoto também é mencionada no Pedido de Providência, ao relatar que há anos foi iniciada a obra de um “pinicão” nas proximidades da escola, com a finalidade de ser realizado o tratamento de esgoto local, mas a obra não foi concluída, tendo sido abandonada.

O esgoto da comunidade, por isso, continua sem receber o devido tratamento, “sendo despejado no Rio Guararema que corre pelo Patrimônio”, rio este que “encontra-se poluído e morrendo”.

Na sessão da Câmara, vários vereadores se manifestaram favoravelmente ao pleito dos moradores, entre eles Gleyciaria Bergamim (DEM), Mir de Guararema (PDT), Juarez Oliosi (PSB), Cimar do Altoé (PHS) e Cláudio do Granito (PTB).

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