Mosca morta é encontrada em jantar servido no Hospital Infantil de Vila Velha

Empresa contratada pela OS que administra o Hospital acumula diversos problemas nos últimos três meses

Pouco mais de um mês depois de encontrado um pedaço de inseto numa refeição servida no Hospital Infantil de Vila Velha, o Himaba, uma médica do pronto-socorro do hospital encontrou uma mosca morta em seu jantar, na noite dessa quarta-feira (29). 



O caso, relatam funcionários do Himaba que não querem se identificar por medo de represálias, foi levado à coordenação da Nutrição da Gnosis, Organização Social (OS) que administra o Himaba desde outubro passado. 

Os funcionários contam que a atual empresa responsável pela alimentação, a TR Refeições, contratada em novembro pela Gnosis, tem apresentado muitos problemas. Além da mosca e do inseto, apontado como barata, houve flagrantes de cílios e pedaços de unhas misturados à comida servida a funcionários e pacientes. 

Mas não se sabe se a Secretaria de Estado de Saúde (Sesa) tomou conhecimento dos problemas ou se tudo está registrado apenas nos relatórios internos da Gnosis. O medo de represálias permanece, confessam as fontes ouvidas por Século Diário, apesar de reconhecerem que a Gnosis tem uma postura melhor que a OS anterior, o Instituto Gestão e Humanização (IGH), que, afirmam, perseguia os servidores efetivos que ainda atuam no Hospital. 

Os funcionários calculam que dos mais de 900 profissionais que trabalham no Himaba, menos de 200 sejam efetivos do Estado. “Os efetivos reduziram muito. No começo [da gestão terceirizada, por OSs], era metade efetivo e metade de OS], observa um servidor efetivo que vem acompanhando a evolução dos problemas oriundos das OS e suas terceirizadas. “É terceirização dentro de terceirização”, critica. 

Antes da TR, a Gnosis trabalhou por cerca de um mês com a Delícias Refeições, empresa contratada diretamente pela Sesa, antes da terceirização da gestão. A Delícias – a melhor prestadora de serviços que o Hospital já teve, na opinião dos servidores – retornou ao Himaba para substituir a Verdall, contratada pela OS anterior à Gnosis, o IGH. Mas ambas, IGH e Verdall, foram as mais problemáticas, tendo sido constatadas diversas irregularidades nos contratos firmados com o Estado. 

A saída do IGH se deu após dois anos de sucessivas reclamações e graves denúncias. O anúncio da mudança da gestão para a Gnosis foi feita para todos os profissionais da unidade pelo próprio secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes.  

Em março de 2019, o governo anunciou que realizaria uma auditoria nos hospitais estaduais administrados por OSs, trabalho realizado pela Secretaria de Estado de Controle e Transparência (Secont). O Himaba, em Vila Velha, administrado desde 2017 pelo IGH, foi o primeiro alvo da fiscalização. As investigações constataram um rombo de, pelo menos, R$ 37 milhões em prejuízos aos cofres públicos, fruto de má gestão e irregularidades. 

Também foram constatadas prestação de contas na forma e no tempo inadequados e contratação de serviços com valores bem acima ao que permitia o contrato. Uma ação civil pública por parte do Ministério Público também tramita na 1ª Vara da Fazenda de Vila Velha para apurar as irregularidades.

Uma das denúncias mais graves contra o IGH foi noticiada com exclusividade em Século Diário em maio de 2018: um relatório com dados oficiais da Sesa revelando que, no período de seis de outubro até 22 de dezembro de 2017, quase 30 recém-nascidos morreram na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (Utin) do Himaba. De acordo com a Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde, boa parte por infecção generalizada. A documentação relacionada às mortes foi levada pelo Sindsaúde ao Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

Também foram denunciados, nesse período, falta de medicamentos, extinção da classificação de risco (espécie de triagem para organizar o atendimento), superlotação, pacientes com doenças contagiosas sem isolamento, paralisação no atendimento de algumas especialidades, falta de estrutura, com pessoas internadas nos corredores; dívidas com fornecedores e trabalhadores; contratação de profissionais sem experiência e a baixos salários, repasses retidos por apresentar relatórios de prestação de contas inconsistentes.
 

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