Movimento arrecada doações para população em situação de rua

Quase metade dessa população possui problemas de saúde, ficando ainda mais vulnerável ao coronavírus

Já em situação de vulnerabilidade, a população em situação de rua encontra novas dificuldades e riscos diante da pandemia do novo coronavírus. Por conta disso o Movimento Nacional da População de Rua realiza uma campanha no Espírito Santo para arrecadar doações. "'Fique em casa', mas… que casa?", diz o chamado.

O pedido é para doações de sabão e sabonete, álcool em gel, máscaras, água, sucos e alimentos não perecível para serem entregues na Casa do Cidadão, em Maruípe, Vitória, ou na Serra, por meio de contato com Mindu (telefone 99769-7797) ou Sheila (99760-5506). Também são aceitas doações em dinheiro para compra dos produtos por meio do aplicativo Picpay na conta @julio.pagotto.

"Estamos entregando para aqueles que não estão em abrigos e não podem frequentar o Centro Pop [espaço de acolhimento]. Ao mesmo tempo buscamos conscientizá-los sobre o coronavírus, pois muita gente em situação de rua não sabe de fato o que está acontecendo. Em paralelo estamos cobrando o poder público por espaços para alimentação e higienização básica e, nos casos de sintomas da doença, de acolhimento", relatou o assistente social Mindu Zinek.

Uma pesquisa publicada em 2018 pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) apontou que quase metade da população que não tem moradia possui problemas de saúde. No topo da lista estava justamente Transtorno do Aparelho Respiratório Superior e Inferior, que atinge 18,2% das pessoas entrevistadas. Isso significa uma maior vulnerabilidade em caso de contágio pelo novo coronavírus, junto a outras enfermidades como diabetes e doenças cardiovasculares que também acometem parte dessa população.

Mindu aponta que nos registros dos sistema CadÚnico constam 1.600 pessoas em situação de rua na região metropolitana da Grande Vitória. Segundo ele, o cadastro inclui a maioria destas pessoas, mas não a totalidade. "Os serviços destinados a essa população estão limitados. Por exemplo, os Centros Pop, a abordagem social, o Consultório na Rua estão limitados por falta de EPI's [Equipamentos de Proteção Individual], que colocariam os profissionais em risco. Então estão com atuação bem limitada".

O assistente social explica que o relato das pessoas em situação de rua indica que com os estabelecimentos fechados e sem circulação de pessoas não estão recebendo doações costumeiras, nem de transeuntes nem de igrejas e entidades sociais que costumam doar lanches. "Mesmo os trabalhadores informais como vigilantes de carros, vendedores de picolés, também não estão conseguindo trabalhar. A estratégia de sobrevivência deles está dificultada", disse. 

"Tá' difícil, nem posto de gasolina, onde a gente tomava banho, estão nos deixando tomar banho. Nem tanto pelos funcionários mas pelos patrões deles que não estão deixando a gente chegar nem perto", declarou uma pessoa em situação de rua em Carapina, na Serra. "Não tem informação para nós, só vemos preconceito das pessoas quando chegamos", disse outro da mesma região.

Nessa segunda-feira, representantes da Secretaria Estadual de Direitos Humanos (SEDH), Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) e Secretaria Municipal de Saúde de Vitória se reuniram no Palácio da Fonte Grande, em Vitória, para debater a questão e devem anunciar em breve medidas para combate do coronavírus com foco na população em situação de rua. Entre o que foi discutido, estão a entrega de kits de higiene e disponibilização de pontos de água potável em locais previamente definidos.

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