Movimento negro estuda implantação de observatório das eleições

Além do Observatório Negro, os militantes capixabas pretendem realizar sabatinas

Representantes do movimento negro capixaba estudam a implantação de um observatório das eleições 2018. O objetivo do projeto seria acompanhar as candidaturas e denunciar as que fizeram algum tipo de divulgação ou apologia à discriminação e ao racismo. Por outro lado, também identificar os candidatos que se comprometem com a pauta de promoção da igualdade racial.

De acordo com Gilberto Batista Campos, um dos coordenadores do Círculo Palmarino, entidade do movimento negro, a intenção é mesmo a de identificar as plataformas eleitorais que disseminem o ódio e denunciá-las. “Vamos acompanhar, trocar informações e chegar num consenso sobre candidatos que forem intolerantes e estiverem propagando a opressão, o racismo e o discurso de ódio. Sabemos que o brasileiro diz que não gosta de política, mas ouve os políticos a quem tem interesse. Esses discursos acabam pegando e gerando reações, novos comportamentos de ódio ao diferente”. 

Segundo Gilberto Campos, a operacionalização do Observatório Negro das Eleições 2018 se dará, provavelmente, por meio da contratação de uma empresa especializada que disponibilizará ferramentas computacionais para auxiliar no trabalho de monitoramento. “A ideia foi inicialmente apresentada em grupos de discussão locais e nacionais, sendo bem acolhida. Vamos continuar socializando com outras entidades para acolher novas contribuições até a implantação do sistema, que deve estar funcionando até o início das campanhas”, disse Gilberto.

Manifestações racistas mais explícitas  

Para Gilberto, resultado até de discursos de alguns políticos que não escondem o ódio a minorias, a intolerância tem crescido no Brasil, o que tem sido atestado até por estatísticas oficiais. Em São Paulo, por exemplo, dados da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) mostram que o número de ocorrências registradas de crimes ligados ao racismo cresceu 65% na Grande São Paulo entre janeiro e maio desde ano em comparação com o mesmo período do ano passado. 

De acordo com os boletins de ocorrência da Decradi, foram, de janeiro a maio deste ano, registrados 80 ocorrências, sendo 38 de crimes raciais, 28 de homofobia e transfobia e 14 em que o tipo de discriminação não foi informada. O número dos crimes que envolvem racismo e intolerância, no entanto, deve ser ainda maior, já que boa parte dos casos não é registrada.

Sabatina

Além do Observatório Negro das Eleições 2018, os militantes capixabas pretendem ainda realizar sabatinas com os candidatos ao governo do Estado e ao Senado Federal. Nesse caso, de acordo com Gilberto Campos, o modelo está sendo estudado, o que pode ser feito por meio de perguntas enviadas por escrito ou momentos de encontro dos candidatos com a militância. “Podemos realizar rodas de conversas e também oficializar o compromisso de candidatos com a promoção da igualdade racial por meio da assinatura de documentos”, explicou. 

O fato é que o crescente discurso de ódio contra as minorias, partindo até de políticos com mandato, e o aumento dos casos de racismo explícito têm preocupado os militantes. “Temos medo porque somos vulneráveis nesse processo. Temos uma série de leis, mas que não são cumpridas. De qualquer forma, vamos continuar enfrentando e reagindo ao racismo”. 

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