Movimentos se unem contra retrocessos na política de saúde mental

Encontro definiu calendário e estratégias no Estado para enfrentar ameaças à atenção psicossocial

Um encontro unificado entre o Movimento Antimanicomial do Espírito Santo, o Fórum Capixaba em Defesa da Saúde Pública e o Fórum Metropolitano sobre Drogas marcou um momento importante na articulação das lutas contra medidas que afetam os avanços conquistados na política de saúde mental, que vem sofrendo com retrocessos dos últimos governos federais.

Pollyana Pazolini, da Fórum Capixaba em Defesa da Saúde Pública, explica que a reunião estava marcada desde o ano passado, quando o grupo realizou uma plenária pós-eleições para refletir sobre as perspectivas para o futuro próximo. Poucos dias antes da reunião, que aconteceu na Casa do Cidadão, em Vitória, foi publicada a Nota Técnica nº 11/2019, do Ministério da Saúde, do governo jair Bolsonaro, que no entender dos ativistas, implica em retrocessos. “A nota, na verdade, é o compilado de uma série de ataques que a política de saúde vem sofrendo nos últimos dois anos, com a tendência de se intensificar agora com esse novo governo”.

Na reunião, que contou com cerca de 100 participantes, foi discutido o panorama no Espírito Santo, ressaltando a necessidade de mobilização em torno da defesa das políticas de saúde mental. “Precisamos ocupar as ruas, atuar dentro dos serviços de saúde mental do Estado, socializar boas experiências e mostrar que dão certo”, apontou Pollyana.

Um dos encaminhamentos resultantes busca a articulação com parlamentares a nível estadual e federal, sensibilizando-os em prol da necessidade de construção de uma sociedade sem manicômios e com políticas de atenção psicossocial adequadas. Uma carta que foi enviada para os candidatos na última eleição será reformulada e enviada para os eleitos, buscando estabelecer um diálogo.

Dentro dessa estratégia também estão pensadas as articulações com outros movimentos e frentes de luta. Um exemplo são as mobilizações sindicais contra a reforma da Previdência, criticada por atacar diretamente famílias que possuem pessoas com transtorno mental e também usuário do Benefício de Prestação Continua (BPC), que atende a idosos e pessoas com deficiência.

Outra agenda importante em que o grupo vai marcar presença é nas manifestações de 8 de março em torno no Dia Internacional da Mulher, pautando a luta antimanicomial com foco no adoecimento das mulheres no Brasil.

Um momento de grande importância ainda no primeiro semestre deve ser a participação na Conferência Estadual de Saúde, onde pretendem pautar a questão da saúde mental junto com a defesa da saúde pública e contra as privatizações no setor.

O 7 de abril, Dia Mundial da Saúde, também deve ser marcado por atividades. “Historicamente a gente vem compondo ações dentro das universidades, dos serviços de saúde mental e nas ruas. A ideia é ocupar e reafirmar a importância da rede de atenção psicossocial e articular com os parlamentares em defesa da reforma psiquiátrica em detrimento da expansão dos hospitais psiquiátricos, que representam um grave retrocesso. No Espírito Santo temos a experiência do Hospital Adauto Botelho, hoje Heac, que nos ensina o que a gente não deve apostar em termos de saúde mental, que é a reclusão e a privação de liberdade”.

Um avaliação da rede de entidades, profissionais e ativistas gira em torno da necessidade de promover atividades mais lúdicas para sensibilização do público, entre as quais deve-se incluir a realização de um cine-fórum para debater questões relacionadas a partir da exibição de filmes.

Destacando a importância de se visibilizar o tema, ela destacou também que a escola de samba Unidos de Jucutuquara vai levar para os desfiles no Sambão do Povo, no próximo final de semana, a história de Arthur Bispo do Rosário, artista que viveu e morreu dentro de um manicômio.

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