Muro que seria derrubado ganhou cores e virou atração em Cariacica

Terminal de Itacibá passou a contar com mural de 200 metros com elementos da cultura popular da região

Uma explosão de cores tomou conta do muro do terminal de Itacibá, em Cariacica. Depois de dois meses de trabalho, foi finalizado nessa terça-feira (12) um mural de cerca de 200 metros realizado pelo projeto Cores que Acolhem, que contou com recursos da Lei João Bananeira, fundo municipal para financiamento de atividades culturais.

As pinturas que priorizam cores vivas aliaram a técnica do graffiti a grandes escolas da pintura mundial como Cubismo, Impressionismo, Expressionismo, o Realismo e o Futurismo, trazendo para o muro representações da cultura popular e paisagem cariaciquense como o monte Mochuara, instrumentos como tambores e casacas e os brincantes do congo, incluindo os do carnaval de congo de máscaras de Roda D’Água.

Desenhados com técnicas de geometria e 3D, alguns dos desenhos viraram atração para os transeuntes que param para tirar fotos, especialmente aqueles que têm o formato de asas. O mural teve concepção artística de Caio Cruz e pintura dos artistas Ed Brown e Jânio Art Oi.

O curioso é que o muro estava em condições precárias e o plano da Companhia Estadual de Transporte Coletivo de Passageiros do Espírito Santo (Ceturb/ES) era derrubá-lo e colocar grades no local. Mas depois de conversa com os artistas do projeto, o muro ficou de pé para ganhar novas pinturas.

Foram necessárias algumas obras de reforço no muro e depois a pintura de branco para preparar a tela desse novo quadro que agora compõe a paisagem urbana. “Procuramos quebrar o estigma de que você só encontra arte em museus, trazer a ideia de que a arte pode estar nas ruas, ao alcance das pessoas. Se buscarmos estatísticas, vemos que pouca gente costuma ir a museus, então apresentamos uma galeria de arte a céu aberto”, explicou a produtora cultural Zuleica Faria, uma das integrantes do grupo.

O projeto foi feito a partir de pesquisas tanto no nível artístico como em estudos prévios na comunidade, mediante entrevista com moradores da região para tentar traduzir nas pinturas um senso de pertencimento na população do entorno.

Zuleica entende que os muros do terminais de ônibus são espaços privilegiados para servir a esse tipo de intervenção, por serem bastante extensos e ao mesmo tempo local de grande circulação de pessoas, que viram público para contemplar a arte. Ela espera que outros terminais  possam receber esse tipo de intervenção na Grande Vitória.

A acessibilidade também foi levada em conta no projeto, utilizando técnicas de texturas e mensagens em braile, pensando o acesso para pessoas com dificuldade de locomoção ou com a visita guiada por intérprete de libras.

“Nosso projeto é muito ligado à questão social, a gente entende que a cultura tem que andar de mãos dadas com as necessidades da sociedade. Não é a cultura apenas como arte, tem um comprometimento social muito grande”, declara, ressaltando também que as pinturas podem ser utilizadas de forma educativa como ferramenta de estudo para estudantes da rede de ensino, destacando representações da cultura do município.

O Cores que Acolhem ainda vai realizar uma oficina de muralismo com jovens atendidos pelo Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) de Itacibá.

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