Na boca do povo

Alvo de críticas de todos os lados, Magno recorre a Bolsonaro como principal escudo

 


 

Não está fácil, mesmo, para o senador Magno Malta (PR). Não bastasse a rejeição do eleitorado capixaba primeiro nas urnas e, depois, quando fez a oração da vitória do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) e ainda foi anunciado como futuro ministro, o senador enfrenta críticas sucessivas não só nas redes sociais, mas também na imprensa nacional. O que tem exigido dele e do próprio Bolsonaro a gravação de vídeos juntos para reforçar a parceria política. O último deles na quinta-feira (1º), exatamente quando pipocaram as declarações do vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) de que Magno tornou-se um elefante ou um camelo, precisando ser arrumado, respectivamente, no meio da sala ou em um deserto. Nesse mesmo vídeo, Bolsonaro chama Magno de “eterno irmão” e muda o disco anterior, de que ele saiu derrotado da disputa à reeleição porque priorizou sua campanha enquanto estava hospitalizado. Desta vez, em mais uma tentativa de justificar que ele ocupará cargo de destaque no Palácio do Planalto, o presidente eleito afirma que a aliança entre eles é caso antigo e começou há mais de dois anos. Diante da repercussão negativa, porém, a previsão é de que o comunicado ocorra esta semana, fora do primeiro bloco de nomes incensados por Bolsonaro. Que Magno está dentro, não resta nenhuma dúvida, só falta preparar o terreno para amenizar os inevitáveis respingos. Se é que tem jeito...

‘Menos pior’
Ao jornal O Globo, na última sexta-feira (2), na ressaca das críticas de Morão, Magno reiterou que tem espaço garantido na gestão de Bolsonaro e que só falta a decisão final: se o tal Ministério da Família, que juntaria o de Desenvolvimento Social com Direitos Humanos, ou a Secretaria Geral da Presidência. Considerando o histórico e bandeiras do senador, a Secretaria Geral é, com certeza, o “menos pior”.

Amado Batista
Já a Veja publicou, no mesmo dia, um texto com o título “Amigão do Poder”. Fala que o senador apoia todos os governos desde 2002 (Lula, Dilma e Temer), divorciou-se do eleitorado (esperava 1,5 milhão de votos e saiu com 611 mil), e tem um visual que “oscila entre o figurino de Amado Batista e o vestuário clássico de um bicheiro carioca”, além de gostar de “relógios de ouro e roupas de grife”.

‘Assustado’
A propósito, Magno usou até declaração do Lobão em seu favor. Nesta segunda-feira (5), postou um comentário do cantor no programa Pânico, na Rádio Jovem Pan, em que ele se diz assustado com a campanha “Magno Malta, não”. ‘Tá certo’...

Aposta
Prognóstico do mercado político: o relator da ação contra os convênios de Paulo Hartung no Tribunal de Contas, Sérgio Borges, decidirá em favor do pleito do governador eleito, Renato Casagrande (PSB). Ou seja: freio na farra do “apagar das luzes” da atual gestão. A conferir.

Jogada final
Aliás, esse abono de Hartung aos servidores é mais uma cartada para tentar amenizar sua situação e, por outro lado, piorar a de Casagrande. Não que as categorias não mereçam, mas ele negou, negou, e agora vai pagar valor dobrado – R$ 1,5 mil. Junta com as obras, convênios e etc...

Jogada final II
Ainda sobre Hartung, ele voltou a falar da “formação de novas lideranças” durante o 6º Fórum Liberdade e Democracia, realizado em Vitória nesta segunda-feira (5). Ele jura que essa será sua atuação política depois de ficar sem mandato, em 2019. 

Até o fim
O ex-diretor-presidente da Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh), Anselmo Tozi, que sempre teve assento no governo Hartung, voltou à gestão estadual para aproveitar os dias finais. Agora, em cargo comissionado de assessor especial Nível III, da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). Olha só, de comandante da pasta um dia a assessor...

Até o fim II
Depois de secretário e diretor da Cesan, Tozi saiu em abril da Agerh para disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa, pelo PSDB. Mas teve apenas 6,1 mil votos. O jeito, então, foi encerrar o ciclo com salário na conta.

Lei da Mordaça, não!
O deputado federal Helder Salomão (PT), reeleito este ano, já se posicionou em relação ao projeto Escola Sem Partido, que a bancada evangélica da Câmara tenta aprovar o quanto antes. É contra, porque propõe um modelo de educação padronizado, acrítico e conservador, e que cerceia as liberdades de estudantes e professores.

PENSAMENTO:
“Lastimável discípulo, que não ultrapassa o mestre”. Leonardo da Vinci

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