No Dia do Portuário, entidades debatem sobre a importância do Porto Público

Suport-ES e Aopes defendem gestão pública com operação privada e combatem o “entreguismo” em curso no ES

É preciso acabar com o clientelismo político na gestão portuária, que visa atender apenas a determinados segmentos políticos, e implementar uma gestão pública eficiente, profissional e comprometida com os interesses do Estado e de toda a sociedade.

Com esse mote, o Dia do Portuário, 28 de janeiro, será celebrado com um debate com o tema “Resgatando a importância do Porto Público para o desenvolvimento do Espírito Santo”.

Promovido pelo Sindicato Unificado da Orla Portuária (Suport-ES), a Intersindical da Orla Portuária e a Associação Profissional dos Operadores Portuários do Espírito Santo (Aopes), o debate contará com subtemas que versarão sobre os cenários político e econômico e soluções possíveis para valorizar o trabalho portuário.

“Precisamos ter um porto público funcional, com uma gestão profissional, técnica, responsável e que devolva para o Estado aquilo que é a sua finalidade: geração de emprego e renda, qualidade da importação e exportação”, afirma o presidente do Suport-ES, Ernani Pereira Pinto.

A profissionalização da gestão pública da indústria portuária é fundamental, assevera Ernani, como forma de reverter a tendência de “entreguismo” em curso no Porto de Vitória, que teve sua primeira concessão estabelecida em 1999, contando hoje com empresas trabalhando por meio de arrendamento e liminares judiciais.

O Estado, ressalta Ernani, não pode ficar “refém do privado num momento de oscilação do mercado”. Porque quando fica refém, explica, não administra para o cidadão, mas para um segmento privado a quem o clientelismo político está a serviço.

A exemplo do que acontece nos melhores portos do Brasil e do exterior, como Rotterdam, Antuérpia e vários portos nos Estados Unidos, os portuários capixabas lutam para que os gestores públicos não sejam mais escolhidos por indicação política, mas sim por “eleição, sabatina e análise de currículo”.

“A gente precisa que o investimento seja realmente voltado pro interesse do porto. Nós temos um porto hoje que foi depenado na sua superestrutura”, denuncia Ernani, citando como exemplo a perda dos guindastes de terra na parte do Porto de Vitória que é administrada pela Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa).

Os equipamentos poderiam ter sido utilizados no último acidente fatal registrado no Porto, no dia dez de janeiro deste ano. Sem essa superestrutura do porto, diz Ernani, os trabalhadores ficam reféns do que a embarcação traz.

“Os silos de Capuaba podem ficar inoperantes em breve”, antevê. “A preocupação é: a quem nós vamos entregar?”, questiona.

O debate acontece no dia 28 de janeiro, a partir das 8h30, no Alice Vitória Hotel, no Centro de Vitória, com duração até o final da tarde. “Que traga bons frutos e bons fluidos”, invoca o presidente do Suport-ES.

 

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