Nomeação de reitor foi 'vingança' por derrota da direita na Ufes por uma mulher

Ao invés de Ethel Maciel, a mais votada da lista tríplice, Bolsonaro nomeou Paulo Vargas

Nas últimas horas antes do término do prazo, o presidente Jair Bolsonaro publicou a nomeação do novo reitor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Para a surpresa geral, Paulo Sérgio Vargas, diretor do Centro de Artes da universidade. 

O professor de Filosofia da Ufes, Maurício Abdalla, foi um dos que criticou duramente a decisão do governo federal: "O presidente e o ministro da Educação fazem birra infantil e não têm maturidade e bom senso para estarem no cargo que estão. A nomeação do prof. Paulo Vargas foi apenas usada como forma de vingança pela derrota que a extrema-direita sofreu na Ufes para uma mulher", comentou em suas redes, ressaltando também que Paulo Vargas não é aliado do governo e "é uma pessoa decente".

A expectativa era de que a nomeada fosse a vice-reitora Ethel Maciel, que havia vencido tanto a consulta aberta à comunidade, quanto a escolha do colégio eleitoral, quando os conselheiros da universidade indicaram a lista tríplice enviada para escolha do e nomeação pelo presidente da República e ministro da Educação.

Vinha sendo tradição que os presidentes respeitassem a escolha da maioria da comunidade acadêmica e nomeassem o candidato mais votado. Mas em seu mandato, Bolsonaro já indicou várias vezes candidatos que ficaram na segunda ou terceira posição. Ao não nomear Ethel Maciel, o presidente evitou que a Ufes fosse comandada pela primeira vez em sua história por uma mulher.

O mais curioso é que sua eleição, além de ter conquistado ampla maioria na votação aberta de professores, servidores e estudantes, apenas consultiva, conseguiu promover uma articulação para que a lista tríplice pudesse evitar tanto uma candidata bolsonarista como a oposição.

Assim, Ethel terminou à frente da lista tríplice com 26 votos nos conselhos, contra 16 votos de Paulo Vargas e Rogério Faleiros, diretor do Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas (CCJE), sendo que ambos apoiaram abertamente a candidatura da vice-reitora durante a consulta aberta à comunidade.

Desta maneira, politicamente ela deixou mais que evidente a legitimidade de sua nomeação para o cargo em lugar de Reinaldo Centoducatte, que terminou seu segundo mandato à frente da entidade de ensino superior. A nomeação na noite dessa segunda-feira (23) surpreendeu até o próprio Paulo Vargas, que afirmou esperar que o nome indicado fosse realmente o de Ethel.

Paulo Vargas é graduado em Arquitetura e Urbanismo pela Ufes, mestre em Arquitetura pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e doutor em Comunicação e Semiótica (2005) pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). 

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