Nova marchinha do Bloco Bleque ironiza ministra Damares e jeito de ser capixaba

Confira canção que faz parte do EP recém lançado pelo bloco que desfila no sábado de carnaval em Vitória

Às vésperas de completar sua nona participação no Carnaval de Vitória, o Bloco Bleque acaba de apresentar nas diversas plataformas digitais a marchinha composta para 2019, que faz parte do EP lançado nesta sexta-feira (22) reunindo seis canções, incluindo as marchinhas autorais que figuraram nos últimos quatro carnavais. 

Como é tradição, o grupo costuma buscar temas atuais levantando questões políticas e sociais que marcam o Brasil e o Espírito Santo, sempre abusando do bom humor. Em 2016 a música Pode Minério falou sobre o pó preto que afeta a vida dos capixabas, em 2017 Aquartela do Brasil ironizou a paralisação da Polícia Militar, em 2018 o tema foi Atrás do Rivo Trio, questionando o número elevado de farmácias em Vitória e a medicalização da sociedade.

Para este ano, a marchinha “Canibal Bandeiras” traz uma miscelânea que faz referência à frase da ministra Damares Alves de que “"Menino veste azul e menina veste rosa”. “Percebi que eram justamente cores que estão na bandeira do Espírito Santo, que é um lugar careta”, conta Gustavo Macacko, vocalista e guitarrista. A isso juntou referências de que o estado era habitado por tribos canibais para comparar ao modo do capixaba se comportar, ao que somou também uma menção ao vídeo que viralizou e provocou polêmica na internet sobre o jogo de Altinha na Ilha do Boi.


O EP do Bloco Bleque ainda soma a primeira canção do grupo, que leva o mesmo nome da banda, e a música Só Tem Jogador, gravada em parceria com Gabriel O Pensador e tema do game Fifa Soccer 2012.

Tudo isso vai fazer parte do desfile do bloco, que sai pela nona vez do Carnaval de Vitória, desfilando pela Avenida Jerônimo Monteiro no sábado de carnaval, dia 2 de março, com concentração às 15h em frente à agência dos Correios na mesma avenida do Centro da cidade. “O Carnaval é um momento especial que nosso bloco tem todo ano. Vamos lançar a marchinha do ano e trazer as outras que compusemos, é raro ver blocos que lançam coisas autorais. No meio disso faremos uma homenagem  à música negra nordestina, traremos alguns compositores menos conhecidos da música brasileira e também parte do repertório com canções populares de músicos capixabas”, adianta Gustavo, idealizador do Bloco Bleque junto com Thiago Ferrari.

O grupo tem trajetória que começou 12 anos atrás. Macacko conta que como considera que no carnaval se tocava muita música ruim, decidiu chamar amigos para formar um bloco que trouxesse músicas que considera de qualidade. “Juntei a turma para fazer um som e mostrar novos talentos. Sou rockeiro e da capoeira, queria uma mistura das guitarras do rock com a percussão, além das influência dos Nordeste, pois sou descendente de nordestinos”. E assim uma banda estreou com uma banda de rock na frente e parte de uma bateria de escola de samba no fundo. Gustavo Macacko dividia o palco com Juana Zanchetta, que segue no grupo, com o falecido rapper Garcia Gam e com o cantor Alexandre Lima, que se encontra há anos em estado de coma depois de ser acometido por um aneurisma.

Ao longo dos anos, foram vários músicos que passaram pela formação do bloco, que não tem o ritmo de uma banda e costuma se apresentar em ocasiões especiais, entre elas o carnaval. Chegou a realizar turnês internacionais levando sua música a França, Alemanha, Suíça e Portugal. “Por ser uma mistura de rock, samba e música nordestina, a banda agrada todo mundo, pode misturar públicos diversos. O Bloco Bleque faz uma ode à influência negra na música brasileira”, explica o cantor, que vive no Rio de Janeiro e lançou neste mês o clipe Circo Lar, que faz parte de seu disco solo Humanifesta.

Comente Aqui
Confirme seu comentário no e-mail em até 48 horas para mantê-lo ativo.
Atenção caros leitores, comentários com link não serão mais aceitos. Evite ser bloqueado.
0 Comentários

Seja o primeiro a comentar.