Novo protesto contra cortes na educação pública será realizado nesta quinta

Assim como no ato histórico 15M, duas passeatas vão deixar, por volta das 16h30, a Ufes e o Ifes

A comunidade estudantil capixaba promete tomar as ruas da Capital nesta quinta-feira (30), num novo protesto contra os cortes de recursos na educação, sobretudo para a rede federal, chamado pelo governo Jair Bolsonaro de “contingenciamento”. Assim como no ato do último dia 15, que reuniu uma multidão (15M), duas passeatas em Vitória vão deixar o campus da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), em Goiabeiras, e da sede do Instituto Federal (Ifes), em Jucutuquara, por volta das 16h30. Dessa vez, com destino à Secretaria de Estado da Educação (Sedu). De abrangência nacional, estão previstas mobilizações também no interior, sobretudo nos municípios onde há campi federais.

Tendo à frente a União Nacional dos Estudantes (UNE), a manifestação 30M tem apoio do movimento estudantil capixaba em todos os níveis e esferas (como a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas - UBES), além dos diretórios e grêmios estudantis das instituições de ensino. E, ainda, de movimentos sociais e de sindicatos ligados à área da educação e de servidores da Ufes e do Ifes, como Sindiupes (professores da educação pública estadual e municipais), Sintufes (servidores da Ufes), Sinasefe (servidores do Ifes) e Adufes (docentes da Ufes). Nesta segunda-feira (27), professores da Ufes decidiram em assembleia paralisar suas atividades no dia 30.  

O novo ato também é considerado um "esquenta" para a Greve Geral contra a reforma da Previdência, que ocorre no dia 14 de junho. Para os organizadores, será mais um dia de luta e reforço da defesa da educação pública, gratuita e de qualidade, e, portanto, contra o anúncio de cortes de 30% da verba destinada às universidades federais feito pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub. 

A justificativa para os cortes, segundo o ministro, seriam “gastos excessivos” das instituições de ensino com eventos e atividades desnecessárias que ele mesmo nomeou como “balbúrdias”. Abraham Weintraub, que inicialmente anunciou um corte de 30%, em seguida, se contradisse, anunciado índices menores. Nesse domingo (26), o próprio presidente Jair Bolsonato, que havia chamado os manifestantes de “idiotas úteis”, disse que, na verdade, seriam “inocentes úteis”. Reforçando a fala do ministro, Bolsonaro alegou que foram 3,6% de “contingenciamento” no total de recursos ou 30% de 12% das despesas discricionárias. 

O reitor da Ufes, Reinaldo Centoducante, chegou a anunciar que a universidade perdeu R$ 20 milhões, valor que já não consta no sistema de receita. Segundo ele, será afetada a área de custeio, como água, energia elétrica e segurança, principalmente, prejudicando o funcionamento normal universidade e, inclusive, a segurança do campus, além de serviços de limpeza, manutenção, compra de insumos de laboratório e financiamento de estudantes. Já o Ifes informou que só tem verbas para funcionar até setembro deste ano.

15M

Em 15 de maio, foi a primeira grande manifestação contra o governo Bolsonaro, realizada em 222 cidades, em todas as capitais, incluindo Brasília. No Rio de Janeiro, o protesto contou com mais de 250 mil pessoas. Em São Paulo, foram 120 mil. 

No Estado, 10 mil pessoas foram às ruas no dia da Greve Nacional da Educação, que começou agitado com protestos realizados em Vitória e também no interior, sobretudo nas cidades de São Mateus (norte), onde há um campus da Ufes; e em Colatina (noroeste), nas unidades do Ifes. Ainda pela manhã, na Capital, manifestantes tomaram a Avenida Nossa Senhora dos Navegantes, saindo da Praça do Papa até a sede da Assembleia. Organizado pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Espírito Santo (Sindiupes-ES), que representa professores da educação pública estadual e municipais, a passeata contou com apoio de outras entidades e centrais sindicais.  

No fim da tarde, teve início o protesto histórico. Foram dois pontos de concentração e um ponto de intercessão para unificar as caminhadas. Um grupo saiu do campus de Goiabeiras, de frente do Teatro Universitário, por volta das 17 horas, e outro da sede do Ifes Vitória, em Jucutuquara, no mesmo horário. Os grupos se encontraram na altura no Boulevard da Praia, por volta das 18h40, seguindo sentido Nossa Senhora dos Navegantes, rumo à Assembleia Legislativa. O encontro das duas caminhadas gerou um mar de manifestantes não visto há muitos anos nos protestos da Educação no Espírito Santo, talvez, nem mesmo nas passeatas dos históricos “cara-pintadas” da Era Collor nos anos 90.

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3 Comentários
  • Machado , terça, 28 de maio de 2019

    Quanto delírio! A propósito, não vi nesse sítio sequer uma imagem das manifestações do dia 26.05. Também gostaria de lembrar que as manifestações do dia 15.05 não atingiram o objetivo, pois pediam "lula livre" e ele continua preso babaca. Ademais, os protestos aparelhados pela esquerda ocorrem em dias úteis e atrapalham bastante a vida dos trabalhadores que sustentam as instituições federais de ensino; se fossem pela educação, tudo bem, mas por 'lula livre' é muita sacanagem com o pagador de impostos.

  • Luiz Azevedo , quarta, 29 de maio de 2019

    Ninguém faz protesto em favor do reajuste de salários dos servidores públicos que estão a quatro anos sem reajuste.

  • Andréia nascimento Foresti , quinta, 30 de maio de 2019

    Realmente não podemos deixar que o governo acaba com sonho de tanta gente o que ele deveria fazer e corta é a verba dentro do próprio governo cará de pal

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