O último apaga a luz

Depois de deixar o MDB à míngua, Hartung pula fora e cria mais um fato político para os holofotes finais

Com um pé já fora do Palácio Anchieta, o governador Paulo Hartung investe na criação de fatos políticos para se manter em evidência. Depois de sinalizar movimentos na direção da Rede Sustentabilidade, do aliado e prefeito da Serra, Audifax Barcelos, comunicou nesta quarta-feira (7) sua desfiliação do MDB. Junto com o anúncio, aproveitou para avisar que tem propostas na área privada (claro, ótimo gestor), e, de novo, que atuará voluntariamente para “formar novas lideranças no País” (claro, ótimo político). A saída da legenda seria, portanto, por motivos pessoais e considerando o “desinteresse” em disputar novas eleições. Leia-se, disso tudo, que Hartung corre para achar outro caminho de sobrevivência política, já que sai do governo com imagem desgastada, para entregá-lo ao seu principal adversário, Renato Casagrande (PSB). E o interessante, embora nada surpreendente, é que o faz depois de deixar o MDB no Estado à míngua, resultado das articulações em prol de seus interesses pessoais. Somente nessas eleições, impediu a candidatura ao governo da senadora Rose de Freitas (Podemos), para, depois, desistir da reeleição em cima da hora, prejudicando também as composições proporcionais. Resultado: de dois potenciais nomes para o Palácio, o partido ficou sem nenhum; tinha sete deputados estaduais e perdeu quatro na janela partidária; elegeu só dois para 2019; e ainda ficou sem a cadeira na Câmara dos Deputados do presidente estadual Lelo Coimbra. O último – e nunca será Hartung - apaga a luz.

Mais do mesmo
E Lelo, mais uma vez, fez um discurso maravilhoso em defesa de Hartung e de sua decisão a poucos meses de encerrar o mandato. Tem coisa que não muda nunca.

Tiro ao alvo
O discurso do presidente da Associação dos Municípios do Estado (Amunes), Guerino Zanon (MDB), na Assembleia nesta quarta-feira (7), também foi  melhor que a encomenda. Usou todos os adjetivos possíveis para enaltecer Hartung na questão dos convênios com as prefeituras em parcela única, e os impossíveis para criticar Casagrande e sua equipe de transição.

Teste de fogo
Aliás, a votação do decreto protocolado pelo deputado estadual Bruno Lamas (PSB) que susta o anterior de Hartung que liberou a “farra de convênios”, será um teste para a Assembleia e a base aliada de Casagrande, eleito com 18 partidos no palanque. Nesta quarta, saíram em defesa dele só os tradicionais: o próprio Lamas, Sergio Majeski e Freitas, todos do PSB, além de Euclério Sampaio (DC). 

Bingo!
A decisão monocrática do conselheiro do Tribunal de Contas, Sérgio Borges, suspendendo os convênios, foi exatamente como apostou o mercado político desde o início. A coluna cantou a pedra.

Embate
Casagrande não cansa de arrastar a asa para o PSL, pensando na relação que precisa estabelecer nos próximos quatro anos. Mas não tem jeito. Carlos Manato, presidente estadual do partido de Jair Bolsonaro, só devolve com chute na canela. 

Embate II
A tentativa mais recente foi dizer que, ao contrário do PSB, que já se declarou oposição a governo Bolsonaro, poderá manter-se neutro, como fez no segundo turno. Manato nem “tchun”. O deputado e o PSL têm, na verdade, muitos planos futuros. Um deles, tirar Casagrande do caminho.

Tête-à-tête
A propósito, a tradicional reunião entre o presidente e os 27 governadores eleitos foi anunciada para a próxima quarta-feira (14), em Brasília. Com a presença do economista Paulo Guedes, que deve assumir o superministério da Economia, para debater as prioridades econômicas para os estados. Quem fez a proposta foi João Doria (PSDB), de São Paulo.

Ah, tá!
Na sessão de segunda-feira (5), que era o dia certo, passou batido. Aí, diante da lembrança da imprensa, coisa e tal, Rafael Favatto (PEN), Eliana Dadalto (PTC) e Cláudia Lemos (PRB) resolveram falar com atraso sobre o três anos do crime da Samarco/Vale-BHP, cobrando soluções para os atingidos. Mas onde a Assembleia esteve nesse tempo todo, hein?

Ah, tá II!
No caso de Favato, pior ainda. Ele preside a Comissão de Meio Ambiente e tem atuação pra lá de tímida em relação aos principais problemas da área no Estado e às poluidoras. Já Cláudia Lemos chegou outro dia e Eliana, que tem reduto eleitoral na região, até tomou algumas medidas. Mas, repito, insuficientes e pontuais. Os deputados fecharam os olhos para mais esse crime ambiental.

PENSAMENTO:
“Os homens erram, os grandes homens confessam que erraram”. Voltaire

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