ONG pede providências urgentes ao Iema para controlar aumento do pó preto

Emissões aumentaram nos últimos 12 meses - 294% em um ponto - e dispararam com a chegada do verão

O presidente da ONG Juntos-SOS Espírito Santo Ambiental, Eraylton Moreschi, denuncia, mais uma vez, o crime silencioso e continuado da Vale e ArcelorMittal: a emissão do pó preto, que afeta drasticamente a saúde dos capixabas, sobretudo os que moram nos municípios de Vitória, Vila Velha e Cariacica. 

Na manhã desta quinta-feira (7), o ambientalista, que também é membro do Conselho Estadual de Meio Ambiente (Consema), protocolou uma denúncia no Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), em nome do diretor-presidente Alaimar Fiuza, em que apresenta os próprios resultados de medições do Instituto indicando índices alarmantes de aumento na emissão de pó preto pelas empresas Vale e ArcellorMital num período de um ano (dezembro de 2017 e dezembro de 2018). Moreschi noticiou os fatos, requerendo informações, esclarecimentos e providências legais para ajustes e correções por parte das empresas poluidoras.

De acordo com o documento, houve um crescimento descomunal na emissão do pó preto no período de 12 meses e que se agravou com a chegada do verão. Nos 30 dias de dezembro de 2018, medição feita pelo Iema na estação do hotel Senac/Ilha do Boi, mostrou que a emissão de partículas passou de 1,9 g/m2 para 7,6 g/m2, um aumento de 294% .

Enquanto as empresas Vale e ArcelorMittal alegam que estão investindo em novas tecnologias para redução do pó preto e que boa parte da poluição é causada por outras fontes, como a construção civil, no documento, Moreschi reforçou a verdadeira situação. Segundo ele, medições de partículas suspensas realizada em pesquisa de 2011 sobre composição e qualificação da poeira sedimentável na Região Metropolitana da Grande Vitória detectou que, na Ilha do Boi, em torno de 80% das partículas presente no “ pó preto “ eram originárias de atividades das empresas da Ponta de Tubarão, Vale e ArcelorMittal. Além disso, que a presença de material proveniente de emissões veiculares, ressuspenssão de vias e construção civil eram insignificantes. 

A ONG pede, no documento, que o diretor presidente do Iema esclareça algumas questões, como: o que aconteceu nos processos produtivos das poluidoras Vale e ArcelorMittal para justificar o aumento de 294% na quantidade de ‘pó preto” em dezembro de 2018? O Iema certifica e acredita os resultados de poeira sedimentável divulgados em seu site? O Iema certificou e acreditou as informações fornecidas pelas poluidoras da ponta de Tubarão das reduções significantes nas suas emissões de material particulado total PTS?  Para o caso afirmativo, quais os trabalhos técnicos que dão sustentação? Qual a empresa ou empresas que assinam estes trabalhos? São isentas e idôneas e de reconhecimento técnico reconhecido em nível mundial?.

“No final de dezembro de 2018 e nos meses de janeiro e fevereiro, já realizamos denúncias da elevada poluição de 'pó preto' chegando em minha residência; que ações foram tomadas pelo órgão e o que foi constatado?”, reclama Moreschi ao Iema. 

Pó preto atinge os pulmões

Estudo de pesquisadora capixaba já indicou que o pó preto, em contato com soluções do ambiente ou do corpo – rios, mares, manguezais, mucosas – se transforma em nanopartículas que são internalizadas nos pulmões humanos e podem, sim, provocar problemas graves de saúde.

A conclusão é da bióloga Iara da Costa Souza, por meio da pesquisa “Internalização de nanopartículas metálicas presentes no material particulado atmosférico em células de pulmão humano”, que ela desenvolve em seu pós-doutorado na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), com apoio da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Universidade Nacional de Córdoba/Argentina, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes) e do projeto MAX600, da ONG Juntos-SOS ES Ambiental.

O resultado surpreendeu, relata a pesquisadora, afinal, mexe com um dos argumentos mais utilizados pelas poluidoras e pelos próprios órgãos ambientais de fiscalização – primordialmente o Iema – para não serem mais rigorosos no controle da poluição por pó preto.

O próximo passo é identificar qual percentual das nanopartículas entra de fato nos pulmões. “Já sei que entra, só não sei quanto. Depende de análise química”, diz. Os resultados, propõe a pesquisadora, “darão embasamento pra que se tenha um controle maior da poluição por pó preto no Espírito Santo”. Aqui, argumenta, os padrões do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) deveriam ser menores, mais restritivos, pois as partículas são feitas de partículas menores.

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1 Comentários
  • Edson Serrão , quinta, 07 de fevereiro de 2019

    Não deixe de expressar sua indignação, com esses crimes que prejudicam a saúde de tantas crianças e idosos, praticados por essa Cias imorais e ilegais ! Exportam seus vultuosos lucros trimestrais, para os investidores residentes no exterior, e jogam em cima de nossas cabeças, para dentro de nossos pulmões e casas, esse pó de minério, enxofre, e outros poluentes nocivos a toda população ! Seja um cidadão participativo ! Manifeste, sua opinião é importante e fundamental, além de ajudar a todos!

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