Oposição vence eleições no Sindicato dos Ferroviários do Estado

Em pleito histórico, grupo que dominava entidade há 22 anos perdeu o comando para chapa de Wagner Xavier

Depois de muita polêmica e embates na Justiça, a eleição do Sindicato dos Ferroviários do Espírito Santo e Minas Gerais (Sindfer) foi decidida na madrugada desta segunda-feira (28), por volta das 4h. Com um resultado histórico, a Chapa 2, chamada de Movimento da Oposição, venceu a Chapa 1, da situação, com o placar de 2.071 votos contra 1.928. Com o resultado, a atual diretoria, comandada por João Batista Cavaglieri, grupo político que está no comando da entidade sindical por 22 anos, será destituída. O resultado foi apertado, com uma diferença de apenas 143 votos. 

Logo após o resultado, o líder da Chapa 2, Wagner Xavier, gravou um vídeo de agradecimento. “Essa vitória não é minha, não é da Chapa 2, mas é de todos os trabalhadores ferroviários, ativos e aposentados. Gostaria de agradecer a todo mundo que participou, que nos ajudou nas redes sociais…se Deus quiser, vamos fazer uma representação transparente, democrática, próxima ao trabalhador”. 

Wagner tem 36 anos e trabalha na Vale há 17 como maquinista ferroviário. É o presidente mais novo na história do Sindfer e pregou, durante a campanha, a renovação política da entidade, liderada pelo mesmo grupo desde a eleição da deputada estadual Janete de Sá (PMN), em 1996. Ela permaneceu como presidente do Sindfer até 2002, sendo a primeira mulher eleita e reeleita, até fazer seu sucessor, João Batista Cavaglieri, que está na presidência do sindicato até hoje, em sucessivos mandatos. 

Batalha judicial 

Desde o início das eleições, os ânimos ficaram exaltados. Na noite do último dia 21, na véspera do primeiro dia de votação, a Comissão Eleitoral postergou a entrega das credenciais para a Chapa 2, o que poderia inviabilizar a fiscalização do pleito em locais mais remotos, uma vez que as 19 urnas estão dispostas em cidades do interior dos dois estados. Em função disso, os membros da Chapa 2 chegaram a fazer um Boletim de Ocorrência, uma vez que, iniciada a eleição e sem todas as credenciais, haveria chances de fraude. 

A Chapa 2 também tentou, antes das eleições, sem sucesso, derrubar decisão do desembargador Mário Cantarino Ribeiro Neto, do Tribunal Regional do Trabalho no Espírito Santo (TRT-17), que, atendendo à atual diretoria do Sindfer, cassou a decisão da juíza do Trabalho Valéria Lemos Fernandes Assad, da 4ª Vara do Trabalho de Vitória, que havia suspendido mudanças no estatuto da entidade. A juíza atendeu pedido da oposição para permitir meios de fiscalização plena das eleições, bem como impedir que pessoas não-ferroviárias votassem, na condição de pensionistas.

A oposição entrou com uma ação questionando que João Batista Cavagilieri realizou mudanças sem observar o quórum estatutário e com assinaturas falsificadas, criando “porteiras para a prática de fraudes eleitorais” e colocando em risco a integridade física dos envolvidos na eleição. Questionou, ainda, a proibição de que a chapa concorrente possa escolher livremente seus fiscais e mesários em condições de paridade.

No entanto, o desembargador Mário Cantarino entendeu que a ordem da juíza traria “grandes prejuízos” ao sindicato, porque o processo eleitoral se encontrava em curso, “não tendo sido demonstrado, em cognição sumária, que a alteração efetuada tenha ocorrido de forma ilegal.”

João Batista Cavaglieri permanece à frente do Sindifer em virtude de uma outra medida liminar, concedida pelo mesmo desembargador, que já havia suspendido a decisão do juiz do trabalho Fausto Siqueira Gaia que anulara as últimas eleições do sindicato e determinara a nomeação de um interventor, em março deste ano. Em ambas ações, o Sindifer é defendido pelo advogado Bruno Zago, que é filho da também desembargadora do TRT, Cláudia Cardoso de Souza.

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