Os Últimos Mustangues lançam seu segundo EP

''Whiskey Barato e Decisões Questionáveis'' é o nome do trabalho com cinco canções entre o indie e o folk

Com base no indie e no folk, o grupo Os Últimos Mustangues lançou nessa segunda-feira (4) o seu segundo EP. Com nome Whiskey Barato e Decisões Questionáveis, o trabalho traz cinco música autorais, disponíveis nas plataformas virtuais. Na quarta-feira (6), a banda realiza o primeiro show depois do lançamento no pub Motor Rockers, na Praia do Canto, em Vitória.

O projeto que começou de forma solitária com voz, violão e gaita, com José Daniel, foi incorporando elementos e ganhou uma banda que mostra maior maturidade no novo EP, lançado um ano depois de outro trabalho, Alice.

"O que eu gosto da liga da banda é que cada um dos quatro integrantes tem uma linha de influência bem divergente", diz Luiz Arpini, baixista do grupo. Zé traz forte influência do folk americano, sobretudo de Bob Dylan, Rafael Gasperazzo, baterista, tem raízes no hardocre, o guitarrista PV Cirino, bebe da fonte do blues e do jazz, e Arpini têm influência do rock clássico, mas principalmente do indie rock. "Juntando tudo isso dá essa bagunça, esse caos semi-organizado que a gente tenta fazer".

Para Zé Daniel, o segundo EP mostra um grupo mais confortável nos estúdios, ambientes que considera mais impessoais para uma banda tão emotiva, que traz em suas letras inspiração na geração beatnik que tem como expoente Jack Kerouak, Allen Ginsberg e William Borroughs. "Não somos uma banda de precisão, trabalhamos a questão da emoção, do espontâneo, e procuramos fazer tudo para soar o mais orgânico possível, próximo ao que se faz ao vivo".

Foi no Estúdio Mantra, com produção de Bernardo John, Guilherme madeira e Breno Signorelli, que o grupo buscou consolidar o trabalha contando com liberdade de ousar e buscar inserir elementos experimentais. Se Alice, o primeiro EP, era um disco temático centrado numa única personagem que conecta todas as músicas, em Whiskey Barato e Decisões Questionáveis, as canções trazem temas mais diversos, que encontraram alguma conexão no curioso título do álbum.

Para Luis Arpini, ainda é possível perceber como as letras e harmonias do grupo seguem nascendo da voz e violão, mas o conjunto da obra mudou consideravelmente. "Além de um amadurecimento em termos de gravação, o novo EP representa um som mais sedimentado, mais maduro, mas bem mutante, pois sempre vamos incrementando na forma de tocar nos shows".

Faixa a faixa

A primeira música de trabalho é Rua das Ilusões Perdidas, que ganhou um vídeo construído a partir de fragmentos de imagens históricas. Pela primeira vez a banda sai de temas mais sentimentais para uma letra considera mais política, numa canção inspirada nos acontecimentos trágicos e no movimento dos que lutaram por união e tentaram reverter a dureza do século 20. "Foi a música que me fez pegar a guitarra e deixar o violão temporariamente de lado, por esse necessidade de falar alto, mostrar distorção", comenta o vocalista, sobre a faixa que encontra entre os ruídos um trecho do discurso de Marthin Luther King.

Notícias Velhas da Última Estação de Trem foi composta por Zé Daniel no tempo em que foi viver em Cachoeiro de Itapemirim, sul do Estado, marcando um hiato da banda, que ficou inativa por mais de um ano. "Não conhecia ninguém por lá. Tive que recomeçar a vida, viver com minhas verdades e pelas minhas verdades, reavaliar pontos de vista, pensar sobre como as pessoas vivem em outros locais e encontram alegrias em coisas muito particulares", diz o compositor.

Em As Metades do Desastre, uma música introspectiva e sentimental sobre relacionamentos, diferenças e desencontros entre duas pessoas que decidem estar juntas e se afastar. É um ambiente similar de O Gelo Acabou, aparentemente mais romântica, porém, pontuando as dificuldades de se relacionar sem machucar o outro. Já Efêmera aborda um relacionamento conturbado, num emaranhado de sentimentos e emoções de uma geração que encontra certa atração pela destruição.

Show de lançamento

No show desta quarta-feira, a banda promete apresentar as canções do novo EP, as do primeiro trabalho e ao menos uma música inédita. "Os Últimos Mustangues é uma banda essencialmente de show. Nosso 100%, nosso melhor, é mostrado ao vivo. A gente ainda quer surpreender as pessoas nos shows, que é onde essencialmente a música acontece". Visceralidade e espontaneidade são duas palavras-chave que os integrantes usam para descrever a performance do grupo.

A noite, que faz parte da programação da Quarta Autoral no Motor Rockers, também contará com apresentação do grupo Conchá, apresentando canções próprias.

 

AGENDA CULTURAL

Quarta Autoral com Os Últimos Mustangues e Concho

Quando: Quarta-feira (11/02), 19h

Onde: Motor Rockers - Rua Joaquim Lirio, 250, loja 6 - Praia do Canto, Vitória/ES

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