Os vencedores esperneiam

Coordenador do PSL no Espírito Santo, o deputado Manato desconhece o contexto de atuação do Sebrae-ES

De instituição com perfil essencialmente técnico, embora com uma linha de atuação recheada de equívocos, o Serviço de Apoio à Pequena e Média Empresa (Sebrae-ES) começa a mudar a cara, transformando-se em núcleo de poder político do deputado federal Carlos Manato, coordenador no Estado do PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro.

Um cenário de todo inaceitável para tecnocratas, que, apesar de ferrenhos defensores da política de extrema-direita do presidente recém empossado, começam a espernear, sem estardalhaço, para preservar os cargos, por causa de medidas anunciadas pelo novo chefe.    

Manato constrói uma estrutura político partidária para ver se consegue chegar ao palácio Anchieta em 2022, consolidando o sonho desfeito por Renato Casagrande nas eleições de 7 de outubro de 2018, que lhe reservaram, apenas, uma segunda colocação, com número de votos bem distante do vencedor, definido no primeiro turno.

Em seus primeiros dias como dirigente do Sebrae-ES, Manato não esconde as pretensões de ampliar o relacionamento com a classe política, provocando críticas veladas do corpo técnico da instituição, que teme o desvirtuamento dos objetivos traçados.

Outro combustível à insatisfação é o fato de Manato ser um estranho no contexto das entidades representativas da classe empresarial, que historicamente sempre exerceu o comando da instituição, voltado para inserir as pequenas e médias empresas em cadeias produtivas capazes de contribuir para ampliar o Produto Interno Bruto (PIB) do País. 

Esse temor assume proporções maiores quando é observada, em nível nacional, a guinada imposta pelo presidente Jair Bolsonaro, que de uma tacada só, nas primeiras 24 horas depois da posse, contabilizou nada menos do que 17 medidas prejudiciais à sociedade brasileira. O susto atinge, também, muitos dos seus seguidores, que vislumbram a perspectiva de perdas generalizadas que alcançam as famílias.  

Um quadro complicado, que se torna mais esquisito com o registro de fatos como as declarações do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e da ministra Damares Alves, da Pasta da Família, com sua estranha cromoterapia sobre o vestir azul e rosa para definir o gênero das crianças, motivo de piadas nas redes sociais. São atos intempestivos, fora dos propósitos do ministério, assim como o que ocorre no Sebrae-ES.

A extinção dos ministérios do Trabalho, da Cultura, das Cidades, Esportes e Integração Racial, o corte de programas sociais, a investida sobre as terras dos povos indígenas, a garfada de R$ 8 no salário mínimo, a redução do orçamento do Sistema S, ao qual pertence o Sebrae, estão entre as medidas tomadas pelo governo federal, que já levam muitos defensores do presidente ao arrependimento. 
 

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1 Comentários
  • edmar de azevedo nunes , domingo, 06 de janeiro de 2019

    Parabenizo ao Manato pela suas decisões de conter gastos e imprimir uma nova forma de administrar, como é comum em todo inicio de gestão os atos tomadas sofrem resistência por aqueles que já estão lá por muito tempo. É importante romper essas barreiras e procurar com técnicos que o SEBRAE/ES tem, interiorizar as ações e conversar com os micros e médios empresários e prefeitos para desenvolver o nosso Estado. Não devemos dar ouvidos aos arautos que torcem para dar errado. Siga em frente com sua proposta de trabalho, acredite no que vc propõe. Ficamos 14 anos com o Sebrae Nacional fazendo politica partidária no orgão e a imprensa aceitou passivamente. Coragem e faça seu trabalho.