Pacientes não conseguem agendar consultas no Himaba

Sem ter a quem recorrer, usuários denunciaram situação do Hospital Infantil ao Sindisaúde

O Sindicato dos Trabalhadores da Saúde no Espírito Santo (Sindsaúde-ES) recebeu denúncia de pacientes que tentam exaustivamente agendar consulta no Hospital Infantil de Vila Velha (Heimaba), mas não conseguem.

Cynara Azevedo, da Secretaria de Condições de Trabalho do Sindsaúde-ES, relata que  “o telefone divulgado está sempre ocupado. Os familiares tentam ligar em diferentes horários do dia e não conseguem. Há ainda relatos de pais e mães que foram ao hospital, porque já haviam agendado a consulta e, chegando lá, não foram atendidos, com a desculpa de que o agendamento não existia”.

A sindicalista lembra que os problemas são recorrentes e já denunciados pelo sindicato. Diz que a gestão do Hospital Infantil de Vila Velha é de responsabilidade da Organização Social (OS) IGH. E, no mês de agosto passado, por falta de pagamento, os médicos da unidade de ortopedia realizaram paralisações. 

Informa ainda que ainda em agosto o sindicato denunciou a redução do número de técnicos em imobilização, o que prejudica e muito o atendimento na unidade.
 
O Sindsaúde-ES cobra uma solução da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), e reforça as reivindicações por melhorias na qualidade dos serviços e nas condições de trabalho no Heimaba.

Terceirização 

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) contratou o Instituto de Gestão e Humanização (IGH), uma Organização Social (OS), para administrar o Hospital Estadual Infantil e Maternidade de Vila Velha (Heimaba), em agosto de 2017.

Como de costume, a promessa era melhorar o atendimento prestado aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) e tornar a gestão mais eficiente. Na realidade, um mantra utilizado para justificar a drenagem de recursos públicos para empresas privadas travestidas de organizações sem fins lucrativos.
 
A assinatura do contrato entre a Sesa e o IGH foi formalizada em meio a diversos questionamentos tanto do edital de contratação quanto de denúncias de irregularidades que a OS enfrenta em outros estados. Mas de nada adiantou. Desde setembro de 2017, a transição foi realizada com abertura de processo seletivo para a contratação de novos funcionários.
 
A promessa do governo do Estado de melhorar o atendimento, no entanto, só ficou no papel. Desde que a OS IGM assumiu a gestão do Himaba, as reclamações são inúmeras, incluindo falta de medicamentos, extinção da classificação de risco (espécie de triagem para organizar o atendimento), superlotação e pacientes com doenças contagiosas sem isolamento, além das mortes de bebês na Unidade de Terapia Intensiva (Utin).

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