Parteiras indígenas Guarani discutem parto natural no Estado

Encontro nacional será entre os dias 25 e 28 próximos, em aldeia de Aracruz

Prejudicada e incomodada com os problemas criados para as índias nos partos cesarianos feitos nos hospitais, a comunidade Guarani realizará o Encontro das Parteiras Guarani no Espírito Santo. Participarão parteiras de aldeias de São Paulo, Santa Catarina, Rio de Janeiro e do Espírito Santo. 

Estarão em Aracruz (região norte), cerca de 20 parteiras dos outros estados, e aproximadamente 70 capixabas, entre parteiras, ajudantes e as meninas que vão aprender sobre o tema, como relata Werá Kwarai, o Cacique Toninho Guarani, da Aldeia Boa Esperança, em Aracruz. 

O encontro será aldeia Três Palmeiras, onde as parteiras de outros estados chegarão no dia 24. 

O que motivou a realização do encontro são os muitos problemas enfrentados pela população indígena quando as parturientes são levadas aos hospitais. Neste caso, são comuns os partos  cesarianos, com a agressão cirúrgica praticada. E aí ocorrem muitos casos de infecção hospitalar no pós-parto, esquecimento de material no corpo da mulher durante o  procedimento, entre tantos outros problemas.

Diferentemente, nos partos naturais realizadas nas aldeias, é aplicada medicina dos próprios índios. É um parto 100% seguro, cuja preparação começa durante o crescimento do bebê no útero da mãe. 

A alimentação especial neste período e os cuidados durante o parto garantem a normalidade do processo. Depois, a criação da criança segue a cultura guarani, inclusive na alimentação especial para o período de crescimento.

Um detalhe importante, como informa o cacique, é que no parto natural há troca de energia entre a parteira e a criança. “A criança fortalece o espírito da parteira. E o espírito da parteira fortalece o espírito da criança.  Há troca de energia”, explica Toninho Guarani.

Esta troca energética ajuda na saúde da criança, favorecendo o seu crescimento com saúde. E mais um detalhe de extrema significação para os índios. Feito o parto natural, com a troca energética habitual, “a criança que nasce com um dom, quando crescer o realizará”, diz o cacique. Assim poderá se tornar músico ou se voltar para a cura de doenças, cita Toninho.

Apesar desta segurança no parto natural, muitos feitos em casa, algumas índias são seduzidas a procurarem os hospitais para o parto. Muitas, inclusive as jovens, já rejeitam o atendimento hospitalar.

Então, como explica o cacique Toninho Guarani, o encontro das parteiras também buscará discutir o chamamento para que os partos sejam sempre naturais e nas aldeias guarani.

Para as aldeias guarani no Espírito Santo, a comunidade vai construir uma farmácia natural e junto uma sala para atendimento nos partos. O espaço será utilizado pelas índias de todas as aldeias. Toninho Guarani informou que a construção deve começar no ano que vem. 

O Espírito Santo tem cinco aldeias guarani: Três Palmeiras, Piraquê-Açu, Boa Esperança, Olho D' água, em Aracruz, e a de Nova Esperança, no Caparaó. 

Leia Também:

Comente Aqui
Confirme seu comentário no e-mail em até 48 horas para mantê-lo ativo.
Atenção caros leitores, comentários com link não serão mais aceitos. Evite ser bloqueado.
0 Comentários

Seja o primeiro a comentar.

Matérias Relacionadas

Disponível online, livro reúne receitas de alimentos da culinária guarani

Com título de Tebi'u Eté, obra foi publicada por comunidade indígena localizada em Aracruz

Projeto leva informações sobre DSTs onde políticas públicas não chegam

Associação Gold promove ações informativas e testes em áreas periféricas e horários alternativos

Delegação capixaba participa do Acampamento Terra Livre em Brasília

Nos últimos dias, maior mobilização indígena do país teve marchas, reuniões e atividades culturais

Saúde Pública da Grande Vitória registra mês de caos

PA’s e hospitais superlotados questionam atuação de gestores, que prometem discutir a questão em conjunto