Participação de transexuais é antiga no carnaval capixaba

Deborah Sabará foi primeira porta-bandeira trans do país. Declaração de presidente da Liga causou polêmica

Uma declaração do presidente da Liga Independente das Escolas de Samba do Grupo Especial (Liesge), Edvaldo Teixeira, provocou polêmica especialmente entre setores culturais e LGBTI+ por insinuar que mulheres trans não poderiam participar do concurso da Família Real do Carnaval 2020 em Vitória, que elegerá no próximo dia 16 Rei Momo, Rainha e Princesa do Carnaval.

Ex-presidente da Unidos da Piedade, Edvaldo renunciou ao cargo na agremiação no último período eleitoral após ser alvo de inúmeras críticas de integrantes da escola de samba, devido ao apoio manifestado por ele à candidatura de Jair Bolsonaro. Este ano, sua declaração à frente da Liesge provocou mais uma série de reações, inclusive de figuras de alto escalão do governo estadual, como a secretária de Direitos Humanos Nara Borgo e também de organizações sociais. 

"Tal discurso mostra que não há uma preocupação em 'garantir espaço das mulheres [cisgêneras] mas sim uma oportunidade de difundir o ódio e a intolerância. Sob as perspectiva de subjugar corpos LGBT aos seus devidos lugares, a marginalidade", afirmou o Fórum Estadual LGBT.

A resposta deste grupo é bastante didática sobre preconceito e a participação história da população LGBTI+ no carnaval brasileiro e capixaba tanto nos ensaios e desfiles como em cargos importantes nas escolas como carnavalescos, diretores de harmonia, de bateria e outros.

A nota lembra que a transexualidade foi novidade na avenida de alguma forma no longínquo 1976 quando Eloina dos Leopardos desfilou à frente da bateria da Beija-Flor no Rio de Janeiro. Em 1986, Roberta Close foi destaque na Unidos da Tijuca.

No Espírito Santo, também é longa a trajetória de participação, que inclui Ednamara, que desfilou em 1980 como Rainha pela Mocidade da Praia, Susette Barcelos que esteve à frente da bateria da Chegou o Que Faltava por três anos na década de 90, Elaine Vega, que foi Rainha da Imperatriz do Forte em 2001.

Lembrou de Giselle Marques como Rainha Trans da Império de Fátiva, Dudu Maravilha na Mocidade Serrana e Deborah Sabará, primeira porta-bandeira transexual do Brasil, defendendo o pavilhão da Imperatriz do Forte. Além das Drag Queens Jessica Talles, da MUG, e Chica Chiclete na Novo Império. "Assim, não é novidade alguma a vivência de pessoas transexuais, travestis, gays e Drag Queen no Carnaval Capixaba, porém a desinformação e a necessidade de difundir o preconceito é maior que a vontade de defender o Carnaval Capixaba como espaço de cultura, lazer e difusão de saber. Mesmo tendo enredos sociais nos últimos anos dentro do Carnaval Capixaba, a Diretoria da LIESGE ainda não fez o dever de casa e não buscou aprender mais sobre a diversidade sexual e de gênero", reclamou o Fórum LGBT.

Diante da repercussão negativa de declaração de Edvaldo, a liga publicou nota garantindo a participação de pessoas trans na disputa. "A Liesge vai seguir a referência dos grandes eventos carnavalescos do país, como o Carnaval de São Paulo e do Rio de Janeiro, em que não há proibição. As candidatas trans que se inscreverem para o concurso irão passar pela Comissão Julgadora do evento da mesma forma que outras candidatas e serão julgadas pelos mesmos quesitos".

Para quem ainda tem dúvidas sobre as identidades sexuais e de gênero o Fórum Estadual LGBT ainda divulgou algumas definições acerca do tema, ressaltando que há outras identidades.

Lésbicas: Mulheres que têm sentimentos afetivos e atração sexual por outras mulheres.

Gays: Homens que têm sentimentos afetivos e atração sexual por outros homens.

Transexuais/Travestis: Pessoas que nascem com o sexo biológico diferente do gênero com que se reconhecem.

Drag Queen: Personagens criados por artistas performáticos que se travestem, fantasiado-se cômica ou exageradamente com o intuito geralmente profissional artístico.
 

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