Passagem de Lula pelo ES desperta militância para processo eleitoral de 2018

Para lideranças petistas, caravana renovou o ânimo da militância. ''Presença de Lula é motivo de inspiração'', disse Coser

A passagem de Lula pelo Espírito Santo foi considerada positiva. No mercado político, a experiência seria um teste para o ex-presidente fora do Nordeste do País, onde ex-presidente é muito forte. Pela atração de cerca de sete mil pessoas no evento dessa segunda-feira (4), na Praça Costa Pereira, no Centro de Vitória; na manhã desta terça (5)o auditório lotado no Ifes de Cariacica e fechando com uma escala rápida em Cachoeiro de Itapemirim, de onde seguiu para o Rio de Janeiro. A recepção capixaba parece ter superado as expectativas das lideranças petistas no Estado.
 
 
A caravana de Lula ao Espírito Santo e Rio de Janeiro faz parte da terceira etapa do projeto, que ainda pretende percorrer as demais regiões do Brasil. Em agosto e setembro, Lula percorreu os nove estados nordestinos, visitou inúmeras cidades, ouviu e conversou com o povo. Em outubro, foi a vez do estado de Minas Gerais.
 
Para o presidente estadual do PT, João Coser, a passagem de Lula pelo Estado foi muito positiva, tanto em relação ao discurso “pra cima” de Lula quanto no tocante ao debate temático, voltado para a educação. Tônica da fala desta terça-feira (5), no Ifes de Cariacica. O clima positivo, na avaliação de Coser, renova o ânimo da militância.
 
O presidente do partido fez questão de frisar que a caravana não tem um viés eleitoral, mas de motivação para que o partido e as forças de esquerda, além de parte da população insatisfeita com a política do governo Temer, possam começar a refletir o futuro do País.
 
Animado com a motivação, Coser acredita que o partido pode, a partir de agora, construir seu projeto para 2018 com os parceiros, tendo como foco os movimentos sociais e o legado do governo Lula. “A presença dele é motivo de inspiração para começarmos a refletir o cenário de 2018, um instrumento de motivação. Lula expressa essa esperança de um futuro diferente do que está posto”, assinalou Coser.
 
Sobre a construção de palanque majoritário para dar sustentação ao projeto nacional, Coser afirmou que isso não foi discutido no partido, mas acredita que ainda há tempo de o PT erguer um projeto próprio e mais fortalecido. Mas ponderou, porém, que nada pode ser antecipado ainda antes de um debate interno forte para a construção desse projeto partidário.
 
Falta sintonia
 
O deputado federal Givaldo Vieira, que disputou com Coser a presidência do partido em março deste ano, também classificou como positiva a passagem de Lula pelo Estado. Ele destacou a expressividade da participação da militância nos dois eventos na Grande Vitória, tanto para o partido quanto para os aliados, frisando a participação de lideranças de outros partidos de esquerda, como o PCdoB.
 
 
Ele destacou ainda que o restante da passagem de Lula – a caravana seguiu para o sul do Estado, fazendo uma rápida parada em Cachoeiro de Itapemirim antes de chegar a Campos, no norte do Rio de Janeiro, próxima agenda de Lula. A passagem rápida por Cachoeiro foi esvaziada por causa das fortes chuvas que afetam toda a região sul do Estado, mesmo assim, segundo Givaldo, houve uma grande troca de carinho da população com o ex-presidente.
 
Para Givaldo, Lula representa uma esperança para um setor da sociedade para uma mudança no atual quadro da política brasileira, que impõe a exclusão de uma parcela da população, a entrega do patrimônio brasileiro e cortes de verbas para programas sociais. “Lula é a esperança de uma parte da população que quer mudança nos rumos do País”, disse.
 
Também questionado sobre as articulações no Estado para sustentar esse projeto, o deputado não poupou críticas a atual direção estadual do PT. Para Givaldo, todo esse movimento positivo de fora não condiz com o atual momento do partido no Estado.
 
O comando do PT, para ele, não está em sintonia com esse movimento otimista da militância. Ele destacou que houve incidentes na passagem de Lula por Vitória que apontam a insatisfação da militância com o atual comando estadual do PT. Givaldo se referia às vaias direcionados a Coser.
 
Superou a expectativa
 
O deputado Helder Salomão, outro liderança importante do partido, também estava bastante satisfeito com o resultado da passagem da caravana do ex-presidente pelo Estado. Para ele, a mobilização na Praça Costa Pereira e a agenda no Ifes, mais focada, superaram as expectativas.
 
Bem avaliado no Nordeste, havia uma preocupação do mercado sobre a vinda de Lula para o Sudeste. Mas para Helder, a vinda do presidente ao Espírito Santo e o acolhimento da população “mostrou que Lula é uma liderança nacional e não só regional”, disse.
 
 
O deputado federal esteve em feiras livres em Serra e Laranjeiras e fez convites pessoalmente à população e disse que o no contato direto o eleitor acolheu muito bem a vinda de Lula  e que embora parte da mídia insista em diminuir o capital do ex-presidente, Helder afirmou que a compreensão da população impede a desconstrução do legado do governo do PT.
 
Na agenda dessa segunda, Helder destacou a antecipação dos royalties do Petróleo, em 2003, que ajudou o então governador Paulo Hartung, no seu primeiro mês de mandato, a pagar a folha do funcionalismo público. Ele também destacou os investimentos sociais de Lula na educação, como a ampliação dos Institutos Federais (Ifes), que pularam de cinco para 21 unidades no Espírito Santo no governo do petista.
 
Sobre o papel do partido no processo eleitoral do próximo ano, o deputado federal destacou a fala de Lula, que disse que estava quieto e mexeram com ele. Agora vai provar inocência e voltar a governar o Brasil. Neste sentido, afirmou, em cada Estado o PT deve construir alianças que tenham identidade com esse palanque nacional.  
 
No Espírito Santo, a discussão é embrionária, mas as lideranças do PT vão fazer o exercício de oposição ao governo federal, e progressistas que toparem a candidatura do ex-presidente. “Não nos interessa acordos com partidos que apoiaram o golpe e não podemos perder o diálogo permanente com as forças de esquerda alinhados com o palanque que está em construção”, afirmou.
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