Pescadores de São Mateus pedem investigação sobre mortandade de peixes

Comunidade cobra coleta de amostras para saber se novo caso tem relação com rejeitos da Samarco/Vale-BHP

Desde o último domingo (15), pescadores da região de Nativo, no entorno de Barra Nova, litoral de São Mateus (norte do Estado), encontram grande quantidade de peixes e mariscos mortos no Rio Mariricu, que deságua em Barra Nova, região atingida pelos rejeitos de minério resultantes do rompimento da barragem da Samarco/Vale-BHP que atingiu a bacia do Rio Doce em 2015.

Presidente da Associação de Moradores e Pescadores da Região do Nativo, Pedro Ribeiro Clarindo percorreu mais de 1km por rio e terra registrando em vídeo grande os animais aquáticos mortos: rabo seco, pixima, robalo, cangoá, carapeba, vermelha, maria sapeba, camarão, siri, moreia. "Há muitos anos não vejo uma mortandade de peixes tão grande assim na região. Algumas pessoas falam em fenômeno natural. Nessa época temos uma das maiores marés do ano, então tememos que o vento sul soprando no mar pode estar mexendo com o rejeito que está no fundo do rio” afirmou, observando com estranhamento especialmente a morte também de grande quantidade de siris. "Nunca vi siri morrer por falta de oxigênio. É um bicho que faz a limpeza do rio, comendo o que tem de morto"

Pedro solicitou à Secretaria Municipal de Meio Ambiente que a situação seja averiguada, tendo promessa de uma visita do Instituto Estadual do Meio Ambiente (Iema) para fazer coleta para análise da causa da morte dos animais. O líder comunitário espera que isso ocorra o quanto antes, já que logo os urubus devem comer os animais mortos, impossibilitando a coleta e o esclarecimento do ocorrido de forma repentina.

A região não tem proibição de pesca, já que a zona de exclusão no litoral vai desde Barra do Riacho, em Aracruz, até Degredo, em Linhares.

Integrante da Comissão de Atingidos de São Mateus, Eliane Balke aponta a possibilidade de que o local esteja sendo afetado por rejeito que continua descendo da Lagoa de Condongas, em Minas Gerais, que possui uma barragem que foi atingida e transborda nas épocas de chuva.

Ela aponta a condição de vulnerabilidade nas comunidades pesqueiras de São Mateus, já que muitos pescadores ainda não foram reconhecidos como atingidos embora atuem na região de estuário, onde o mar se encontra com o rio, que sofre os efeitos da maré.

Eliane reclama da falta de diálogo da Fundação Renova, responsável pela reparação aos atingidos pelo crime socioambiental, com as comunidades do litoral de São Mateus, já que desde janeiro de 2018 não teriam tido reuniões sobre os direitos de reparação, indenização e auxílios. As comunidades não possuem assessorias técnicas para dar apoio, já que apesar de já ter selecionado uma entidade para este trabalho, ela ainda não foi contratada pela Renova, assim como as assessorias dos demais lugares atingidos.

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