Pescadores denunciam abandono do terminal pesqueiro da Praia do Suá

Documentos inacessíveis, prédio deteriorado, falta de gestão. Caso é investigado pelo Ministério Público

Sob investigação do Ministério Público Federal (MPF) desde o final de 2018, o caso do abandono do terminal pesqueiro da Praia do Suá, em Vitória, continua prejudicando os pescadores não só da capital, mas também do norte do Espírito Santo, totalizando mais de 16 mil pescadores, além de vários outros trabalhadores, que atuam nas barracas de praia, carrinhos de coco e peixarias.

O descaso com a pesca vem desde 2014, relata Braz Clarindo Filho, vice-presidente do Sindicato dos Pescadores do Espírito Santo (Sindpemes). “Não está tendo reforma nem manutenção”, denuncia, referindo-se ao prédio entregue, naquele ano, à Superintendência de Pesca e Aquicultura do Espírito Santo.

“Reboco caindo, ferrugem, pintura descascando, lugares precisando de reforma, e por aí vai, muito lixo, muita sujeira. É um ambiente que precisava andar limpo, com higiene 100%”, argumenta.

Braz conta que a categoria teme a interdição do terminal. “Mas se continuar naquela situação, quem perde também é o pescador. É perigoso pra nós ser interditado, não ter onde descarregar o pescado, mas alguma coisa tem que ser feita”, diz.

Além da deterioração física, o abandono também prejudica documentos importantes para os pescadores, incluindo documentação solicitada pela Fundação Renova para embasar o cadastramento dos atingidos pelo crime da Samarco/Vale-BHP.

“O Júlio [Júlio César Gonçalves] dizia que não tinha os documentos, mas estavam lá. Eu entrei no prédio, não invadi, porque estava tudo abandonado, e fotografei tudo. Depois disso, tiraram de lá, colocaram cadeado e fechadura”, relata Braz.

Para o sindicalista, “falta capacidade de gerenciamento por parte da Superintendência”. Por essa razão, os pescadores requereram que o novo governo indique, para ocupar a Superintendência, um nome que seja consenso entre a categoria e não atenda apenas aos interesses político-partidários. O pedido foi feito formalmente à Casa Civil, ao presidente do Sebrae/ES, Carlos Manato, e à deputada federal Soraya Manato, ambos do PSL.

O presidente da Colônia de Pesca Z-5, da Praia do Suá, Álvaro Martins da Silva, o Alvinho, faz coro ao Sindpemes. “Estamos abandonados! A Secretaria de Pesca não existe, na prática. Hoje em dia está ‘ao Deus dará’”, diz. “Quem vai tomar conta daquilo?”, pergunta, considerando o cenário político nacional contrários aos pescadores artesanais. “Não podemos ficar sem o terminal”, clama Alvinho.

 

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