Pescadores do Estado estão sem seguro defeso há três meses

Na Ilha das Caieiras, famílias com direito ao seguro piracema e mexilhão passam por dificuldades

Os pescadores de camarão e mexilhão e os que têm direito ao seguro da piracema reclamam que estão passando por dificuldades para sustentar suas famílias, devido ao atraso no pagamento dos seguros-defeso pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

“O INSS diz que o problema é no sistema, que ‘semana que vem’ vai resolver. Mas nunca resolve. Desde novembro”, reclama Álvaro Martins da Silva, o Alvinho, presidente da Colônia Pesca Z-5 Praia do Suá, em Vitória.

Todos os três defesos já foram encerrados, mas apenas o do mexilhão foi pago em parte. Os demais, nenhuma parcela.

O defeso do mexilhão acontece de 1 de setembro a 31 de dezembro, mas a última parcela, em janeiro, ainda não foi paga. O da piracema, de 1 de novembro a 28 de fevereiro, e o do camarão, de 1 de dezembro a 28 de fevereiro.

“Já estive lá mais de dez vezes. Na última, disseram que pagariam até 31 de março, mas depois falaram que não tem data certa ainda”, relata Simone Leal, presidente da Associação dos Pescadores, Marisqueiros e Desfiadeiras de Siri da Ilha das Caieiras (Aspemade).

“Tá muito difícil. Cada comunidade tem uma realidade. A minha comunidade tá passando por um momento que a gente está chorando e pedindo a Deus pra tomar providência porque não sabe mais onde recorrer”, suplica, referindo também à proibição de pesca, em decorrência da implementação de uma unidade de conservação no manguezal da Ilha do Lameirão.

“Hoje os pescadores estão tristes, sentados na calçada, porque não podem pescar. Polícia ambiental, polícia federal, capitania dos portos, prefeitura. Tem mais polícia na água que em terra”, reclama.

O pescador Welington Leonel da Silva Junior diz que os pescadores estão se sentindo como criminosos. “A gente sair pra pescar é como sair pra roubar. Corre risco de ser preso. São tantas leis, tantas proibições, sem perguntar nada pra comunidade. Vão fazendo reserva, e o pescador que é tradicional fica esquecido. A gente não tem ninguém pela gente. Corre em tudo o que é porta, mas só fica pra atrás”, diz. “Eles estão resguardados pela lei, mas não têm alternativa nenhuma pro pescador, é só proibição”, clama.

A Ilha das Caieiras, lembra Simone, é um território tradicional de pescadores artesanais. “A pesca na Ilha das Caieiras sempre garantiu o nosso sustento, sempre. Nunca ficamos um sábado sem fazer feira. Nosso manguezal é rico, graças a Deus. Rico em tudo. Mas hoje o pescador virou bandido”, reclama. “A gente aceita que vire APA  [Área de Proteção Ambiental], mas tem que ter alternativa pra gente”, diz Simone, referindo-se à unidade de conservação.

As entidades de pescadores de Vitória estão planejando um ato na próxima semana em frente ao INSS, para pressionar por uma solução. O Ministério Público Estadual (MPES) será acionado, em busca de apoio. “Precisamos do Ministério Público e dos direitos humanos, para estar com a gente numa conversa com a polícia e a prefeitura”, anunciou.

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