Petroleiros suspendem greve e denunciam manobra para privatização da Petrobras

Categoria aprovou fim provisório do movimento em assembleia, mas mantém negociação nacional

"A Petrobras não tem e nunca teve qualquer problema financeiro, essa é uma mentira que virou verdade”, disse o economista Cláudio Oliveira, aposentado da empresa, ao denunciar, juntamente com outros petroleiros, manobras para privatizar a empresa, nesta quinta-feira (21), que marcou a suspensão da greve da categoria. 

Os pronunciamentos ocorreram no seminário “A privatização da Petrobras e os preços dos combustíveis”, promovido na Assembleia Legislativa por iniciativa da deputada estadual Iriny Lopes e o deputado federal Helder Salomão, ambos do PT, com a participação de representantes de entidades da sociedade civil, de partidos de esquerda e da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). 

O economista apresentou números de balanço da empresa por ele analisados, desconhecidos pela maioria dos brasileiros, demonstrando que a Petrobras nunca esteve “quebrada”. Citou a liquidez corrente da empresa, em 2015, da ordem de R$ 25 bilhões de dólares.

Pela manhã, alinhado com decisão da Federação Única dos Petroleiros (Fup), o sindicato da categoria no Espírito Santo  (Sndipetro-ES) aprovou em assembleia a suspensão da greve, depois de 20 dias de paralisação em 13 estados brasileiros. 

A categoria esteve reunida em assembleia extraordinária no antigo aeroporto e avaliaram que o momento é de acumular forças para buscar o atendimento da pauta de reivindicações que a gestão da Petrobras tem se recusado a negociar.

A votação aprovou a suspensão provisória da greve. Entretanto, o movimento informa que não irá parar. A Comissão Permanente de Negociação da FUP vai participar na sexta-feira (21) da negociação no Tribunal Superior do Trabalho (TST), junto com representantes do Ministério Público do Trabalho. Caso não haja avanços na mediação feita pelo Tribunal, a orientação é que a greve seja retomada.

“Seguimos unidos e fortalecidos, nossa luta é em defesa dos empregos, contra o desmonte do Sistema Petrobras e por preços justos para os combustíveis. A suspensão provisória da greve é o momento para acumular forças para as próximas negociações”, explica o diretor do sindicato, Valnisio Hoffmann.

“Essa unidade demonstrada na greve trouxe esperança para os trabalhadores da Fafen [Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná] e para as nossas famílias. Foi a greve que obrigou a Petrobras a suspender as demissões em massa e a reverter as que já haviam sido aplicadas contra 144 companheiros”, afirma o petroquímico Ademir Jacinto, diretor do Sindiquímica-PR e um dos integrantes da Comissão Permanente de Negociação da FUP, que há 20 dias ocupa uma sala na sede da Petrobras no Rio de Janeiro.

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