Pior salário do País provoca pedidos de baixas na Polícia Militar do Estado

Saídas ocorrem desde movimento de 2017, a maioria de soldados, que decidem buscar carreiras mais atraentes

A Polícia Militar do Espírito Santo (PMES) tem registrado, desde o movimento de 2017, aumento do pedido de baixas, a maioria de soldados que têm saído da corporação em função dos baixos salários para outras carreiras mais atrativas. Dados da Associação de Cabos e Soldados do Estado (ACS-ES) apontam que, neste ano, de janeiro a outubro, já foram 28 pedidos, com um indeferimento, além de uma deserção. No ano passado, foram 37, sendo nove indeferidos.

De acordo com o presidente da Associação de Cabos e Soldados (ACS-ES), Eugênio Silote, o salário é o principal fator para que os militares deixem a corporação. Com uma remuneração na base de R$ 2,7 mil, o soldo dos PM’s capixabas é o pior do País. Silote explica ainda que esse salário só é alcançado pelo soldado depois de dois anos do curso de formação, em que o recém- aprovado no concurso recebe apenas uma ajuda de custo e não o salário integral.  

O presidente da ACS afirma que, em outras polícias, esse tempo é de cerca de quatro meses. “Um cabo da PM do Espírito Santo ganha menos que um aluno em formação em Minas Gerais. O candidato sabe qual é o salário quando entra, mas fica a expectativa de que vai melhorar, o que não tem ocorrido. Há 13 anos, quando entrei na polícia, o salário do Estado era o quarto melhor do País. De lá pra cá, só temos perdido o poder de compra, é muita defasagem. E também perdido nossos quadros, o que não era comum. Os soldados acabam fazendo outros concursos ou procurando algo melhor, até na iniciativa privada”, disse.

Silote ressalta ainda que, apesar das vantagens e benefícios ampliarem o salário, não contam para a aposentadoria e em casos de licenças. 

Os militares continuam em negociação com o Estado para que haja reajuste dos salários. Os PM’s, que se uniram aos policiais civis na Frente Unificada de Valorização Salarial dos Policiais Civis e Militares e Bombeiros Militares, alegam que, nos últimos seis anos, houve apenas uma revisão anual dos salários de 5%, em 2018.

Os agentes citam a boa situação fiscal do Estado, que tem nota A em classificação junto ao Tesouro nacional, e exemplificam outros estados que têm dado reajuste, como o Rio Grande do Norte (23%), mesmo com crise fiscal e tendo aderido ao Regime de Recuperação Fiscal; Minas Gerais, que tem proposta de 28% de aumento para os policiais e bombeiros; Distrito Federal, com 37% anunciado no início deste ano; Rio de Janeiro, com 8% para toda segurança pública e aumento de 45% das gratificações extraordinárias, além de Alagoas (reajuste de 12% para policiais e bombeiros) e Amazonas (14,74% para policiais e bombeiros). 

De acordo com dados divulgados pela Frente, nos últimos anos (2014/2019), enquanto a inflação acumula um índice de 35,53%, os salários dos policiais tiveram reajuste de apenas 5%, tornando praticamente impossível arcar com compromissos básicos sem recorrer a endividamento constante, o que compromete até a integridade dos policiais no exercício de suas atribuições. 

Há um mês, policiais militares e civis, bombeiros militares, além de servidores que integram o setor de segurança pública do Espírito Santo, realizaram um protesto pelas ruas da Vitória. A caminhada percorreu as vias principais da Capital, como Avenida Vitória e Beira-Mar, com destino ao Palácio Anchieta. Neste mês, instalaram outdoor na Grande Vitória para divulgar que recebem a pior remuneração do País. 

Compõem a Frente: Associação dos Militares da Reserva, Reformados, da Ativa da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros Militar e Pensionistas de Militares do Estado do Espírito Santo (Aspomires); Associação dos Bombeiros Militares do Estado do Espírito Santo (ABMES); Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar e Bombeiro Militar (ACSPMBM-ES); Associação dos Subtenentes e Sargentos da Polícia Militar e do Bombeiro Militar (Asses); Associação dos Oficiais da Polícia Militar (Assomes); Sindicato dos Investigadores de Polícia Civil (Sinpol); Associação dos Investigadores de Polícia do Estado (Assinpol); Sindicato dos Delegados de Polícia Civil (Sindepes); Associação dos Delegados de Polícia Civil (Adepol).

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