Policiais reclamam da reforma da Previdência e criticam falta de diálogo

O delegado Rodolfo Laterza é uma das lideranças que está à frente do movimento no Estado

Policiais federais e civis de todo o país ampliam a onda de insatisfação em relação ao presidente Jair Bolsonaro, eleito com apoio maciço dessas categorias, por conta do projeto de reforma da Previdência, que desconsidera os pleitos desses servidores públicos. Um dos motivos das reclamações é a falta de diálogo com interlocutores do governo. 

Na próxima segunda-feira (13), a União dos Policiais do Brasil (UPB), que reúne 28 entidades de várias categorias da área de segurança, inicia um movimento nos estados a fim de sensibilizar parlamentares sobre suas reivindicações, como preparativo para uma grande mobilização, marcada para o próximo dia 21, em  Brasília, com a participação de mais de cinco mil policiais. 

Os policiais discordam, entre outros pontos, das regras para aposentadoria e do valor de pensão para familiares de policiais mortos e feridos. Eles argumentam que, ao contrário do que a reforma prevê, a aposentadoria a partir dos 55 anos de idade, na prática, vai causar enormes prejuízos, considerando que o valor previsto para a aposentadoria aos 55 é inferior ao praticado atualmente e valerá mais ao policial continuar trabalhando para receber o salário integral. 

Para o delegado Rodolfo Laterza, presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia Civil do Espírito Santo (Sindepes), que integra a UPB, a reforma vai provocar um colapso na segurança pública nacional. Ele defende um tratamento igualitário entre as diversas categorias do setor.

A reforma da Previdência para a área militar foi debatida no dia 1º de abril desse ano,em Vitória, no Tribunal de Contas do Estado (TCE), por representantes de policiais federais e rodoviários, civis e militares, bombeiros e outras categorias da área de Segurança Pública. 

O encontro abriu uma movimentação de âmbito nacional, articulada pela UPB, que aponta como um dos principais questionamentos a idade mínima de 55 anos para a aposentadoria dos policiais, podendo subir esse número com o aumento da expectativa de vida da população. 

Entre os demais pontos apresentados, estão a elevação da alíquota previdenciária de 7,5% para 8,5% em 2020; para 9,5% em 2021; e para 10,5% a partir de 2022, além do aumento do tempo para o militar passar para a reserva, de 30 para 35 anos na ativa. 

“Enquanto no crime há o recrutamento de pessoas cada vez mais jovens, nossa defesa é feita por um efetivo envelhecido. Em 2000, um total de 40% dos policiais tinham em média de 26 a 35 anos. Em 2016, cerca de 44% tinham entre 36 e 45 anos. Com a reforma prevista, certamente esse número irá aumentar significativamente¨, destacou na época Marcus Firme, presidente do Sindicato dos Policiais Federais do Espírito Santo. 

No Brasil, os policiais não recebem hora-extra, adicional noturno, periculosidade e insalubridade. Também não possuem direito à greve, contribuem para o regime de Previdência mesmo depois de se aposentarem, e trabalham em regime de dedicação exclusiva.

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1 Comentários
  • Carlos , quinta, 16 de maio de 2019

    É injusto o policial civil, após se aposentar, continuar pagando a contribuição para o IPAJM. Questiono: durante sua vida toda na ativa, o policial faz o recolhimento para o IPAJM para ter o direito de se aposentar. Depois de aposentado, continua contribuindo para o IPAJM. Este desconto provoca uma defasagem injusta nos proventos do aposentado. Isto precisaria ser ver revisto através da bancada policial na Assembleia. Faço este apelo, em nome de todos os aposentados da policia civil.

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