Prefeito de Itapemirim tacha afastamento de fraude e promete processar Ferraço

Thiago Peçanha Lopes e o deputado Theodorico Ferraço trocaram acusaçoes nesta terça-feira

O nível de fervura aumentou nesta terça-feira (28) no caldeirão político de Itapemirim, no sul do Estado, com acusações entre o prefeito Thiago Peçanha Lopes (PSDB), afastado pela Câmara de Vereadores e reconduzido ao cargo pela Justiça, e o deputado estadual Theodorico Ferraço (DEM). 

Na sessão da Assembleia desta terça, Ferraço denunciou a existência de uma quadrilha no município, enquanto Thiago Lopes, em nota, chamou-o de "delinquente político". 

O prefeito disse que irá processá-lo e também os vereadores autores da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que decidiu afastá-lo do cargo na última sexta-feira (24), ato posteriormente anulado pelo juiz Leonardo Augusto de Oliveira Rangel, em decisão publicada nessa segunda-feira (27).

Thiago Peçanha é investigado em uma CPI que apura supostas fraudes cometidas no repasse de verbas para o Consórcio Intermunicipal de Saúde CIM/Expandia Sul pela prefeitura. Nesta terça-feira, os vereadores da comissão pediram segurança pessoal à Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp).

O presidente da Câmara, Mariel Delfino Amaro (PCdoB), foi empossado no cargo e deveria assumir nessa segunda, no entanto, de acordo com a decisão do juiz, a decisão da Câmara é inconstitucional, considerando que não tem competência para afastar o prefeito provisoriamente.

Nota emitida por Thiago Lopes nesta terça-feira denuncia: “Toda essa delinquência política foi orquestrada pelo deputado estadual Theodorico Ferraço, em favor de sua esposa pré-candidata à prefeita, Norma Ayub [DEM]. O deputado é o grande ator da instabilidade no município, produzindo fake news, denúncias falsas e interferência em processos usando as mãos de vereadores aliados”. 

Mais adiante, afirma que a “Justiça anulou a fraude legislativa produzida por delinquência política. Inventaram um afastamento pela Câmara que não tem base legal, sem previsão na legislação. A jurisprudência é pacífica nesse sentido. Essa fraude não foi um ataque ao prefeito: foi um ataque covarde ao município de Itapemirim e ao Estado de Direito”.

O prefeito aponta diretamente a participação de Ferraço no que ele chama de “ruptura institucional, que produziu caos e instabilidade por mera delinquência política. Para ele, a imagem do município foi atingida injustamente e “a Justiça mostrou qual é o lado certo da história, quem respeita as leis e quem não respeita”. 

Já o deputado Theodorico Ferraço, em discurso inflamado na tribuna da Assembleia, denunciou a atuação de uma quadrilha na Câmara e apontou para um prejuízo aos cofres públicos de mais de R$ 4 milhões. 

O parlamentar apresentou 138 páginas de documentos da CPI contendo, segundo afirmou, provas concretas de irregularidades ocorridas no município e solicitou à Mesa Diretora da Casa permissão para que o vereador Rogério Silva Rocha (PCdoB), um dos membros da CPI, pudesse vir à Assembleia para relatar o escândalo.   

No final da tarde, os vereadores que assinaram a CPI divulgaram ofício encaminhado ao secretário estadual de Segurança Pública, Roberto Sá, solicitando segurança pessoal em decorrência de “´possíveis ameaças vindas do prefeito municipal interino Thiago Peçanha Lopes e seus asseclas, ocorridas nos últimos dias”.   

Os vereadores afirmam que “há o perigo de graves e irreparáveis prejuízos à nossa integridade física, inclusive de morte e registram que no município já ocorreram diversos crimes de mando, 'sendo o último o de um secretário municipal de nome José Mauro da Penha Sales”.  

Assinam o ofício os vereadores Mariel Delfino Amaro, presidente da CPI, Joceir Cabral de Melo (PP), João Bechara Neto (PV), Leonardo Fraga (PHS), Rogério da Silva Rocha e Fábio dos Santos Pereira (PSL).

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