Prefeitos protestam contra crimes da Vale/Samarco/BHP 

O prefeito de Baixo Guandu, Neto Barros, está ameaçado de processo judicial pela fundação Renova

Prefeitos de Minas Gerais e Espírito Santo vão se reunir nos próximos dias, em Baixo Guandu, noroeste do Estado, para protestar contra o que vem sendo tachado como irresponsabilidade da Vale/Samarco/BHP no trato de questões ambientais e de segurança no trabalho, que matou 79 pessoas, em apenas três anos, segundo registros até esta segunda-feira (28), quarto dia depois do rompimento da barragem de Brumadinho, em Minas, ocorrido sexta-feira passada (25).

As equipes de salvamento informaram a retirada de 60 corpos do mar de lama de rejeitos de mineração que se espalhou na região de Brumadinho, deixando ainda 292 pessoas desaparecidas, com poucas chances de serem encontradas com vida. Esses números se somam ao crime da Samarco/Vale/BHP, em 2015 na cidade de Mariana, que deixou 19 mortos e causou danos irreparáveis à bacia do Rio Doce em Minas e no Espírito Santo.

Na manifestação de Baixo Guandu, as lideranças políticas vão questionar as leis frouxas que permitem a manutenção de um sistema extrativista danoso não apenas ao meio ambiente, mas que também coloca em risco a vida de pessoas e animais, visando unicamente o lucro. O encontro também será uma demonstração de apoio ao prefeito de Baixo Guandu, Neto Barros (PCdoB). 

O prefeito está ameaçado de processo pela Fundação Renova, criada pela Samarco/Vale/BHP e instituições governamentais para reparar danos provocados pelo rompimento da barragem de Mariana, que além da devastação do Rio Doce e dos 19 mortos, ainda hoje gera prejuízos a agricultores e pescadores nos dois estados.

A ameaça de processo foi provocada por declarações do prefeito Neto Barros em que aponta a Renova como irresponsável, denunciando, entre outras falhas, o não pagamento de despesas decorrentes do rompimento da barragem de Mariana, entre elas o tratamento de água no município. Além dessa despesa, existem outras, inclusive multas. 

Contando com grande influência nos meios políticos, mineradoras como a Vale desfrutam de regalias junto aos organismos fiscalizadores. A empresa também sempre procura a judicialização dos casos, causado atraso no andamento dos processos, e busca parcerias com prefeituras, a fim de manter uma imagem positiva perante o público. 

A Vale possui um passivo com a Prefeitura de Vitória, referente a multa ambientais e, no entanto, esse fato não representou impedimento para celebração de contrato de cooperação para a construção do Parque Atlântico, no final da Praia de Camburi, que tinha inauguração prevista para o próximo domingo (3), mas foi cancelada.

As obras, com valor de R$ 14 milhões – representam um exemplo clássico exemplo de greenwashing (estratégia executada principalmente por grandes empresas, de promover ações de responsabilidade socioambiental que mascaram problemas sérios que não são resolvidos). Nesse caso, ocorreu o cancelamento do passivo ambiental da Vale.

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