Prefeitura de Aracruz consegue liminar para coibir protestos contra transporte

Nesta quinta, será realizada nova reunião entre a gestão de Jones Cavaglieri e o Nossa Aracruz

A Prefeitura de Aracruz, por meio da Procuradoria-Geral, conseguiu liminar favorável para que os representantes do movimento Nossa Aracruz desbloqueassem as estradas que dão acesso ao município, sob pena de multa de R$ 50 mil por crime de desobediência. Nessa segunda-feira (29), por volta das 4 horas, os manifestantes interditaram pontos das rodovias ES-257 e ES-010 com galhos e madeiras. Também fizeram piquetes em frente às garagens das empresas que operam o transporte municipal: Cordial e Expresso Aracruz, exigindo que o prefeito Jones Cavaglieri (SD) revogasse o decreto de fevereiro deste ano que reajustou a tarifa 8,73%, passando para R$ 3,15. 

Nesta quinta-feira (2), às 14 horas, haverá uma nova reunião dos gestores municipais com os representantes do movimento. A realizada na Prefeitura de Aracruz, nessa segunda (29), sem a presença do prefeito, não avançou nos pontos mais importantes de reivindicação. Até então, Cavaglieri não revogou o decreto, mantendo o preço da tarifa. 

De acordo com Herval Nogueira Júnior, um dos representantes do movimento Nossa Aracruz, os moradores estão revoltados com o sistema municipal de ônibus, que, segundo os manifestantes, operam em lote e servem mal à população, com tarifas caras e péssimos serviços. Herval afirma que o valor reajustado de  R$ 3,15 é específico para á área urbana. Moradores das zonas rurais pagam a mais por quilometragem, valores que podem chegar até R$ 11,00.

“Como um trabalhador pode pagar por valores como esses? Já fizemos uma audiência pública no dia 13 de março deste ano, já tem uma CPI do Transporte acontecendo na Câmara dos Vereadores e um processo por caducidade dessas concessões das empresas no Ministério Público Estado. Elas não podem continuar se prestam um péssimo serviço”, criticou Herval. 

Nessa segunda, o Nossa Aracruz chegou a se manifestar que continuaria com as interdições até o prefeito da cidade, Jonas Cavaglieri (SD), revogar o decreto com aumento das passagens. Mas, com a decisão judicial, resolveram recuar, mantendo, no entanto, a mobilização em busca de novas estratégias. Os representantes também reclamam de forte repressão policial contra uma manifestação pacífica e legítima.   

Já a Prefeitura de Aracruz, por meio de nota, informou que propôs criar uma comissão com a participação de membros do movimento Nossa Aracruz e da administração municipal. Desta forma, ficou agendada a primeira reunião para a próxima quinta-feira (2), a partir das 14h, no gabinete do prefeito. 

A paralisação foi comunicada por meio da rede social do Nossa Aracruz, que também divulgou um comunicado em que explica os motivos do protesto:
 
“... A cada ano que passa a tarifa do ônibus aumenta, a qualidade do transporte piora, nosso salário diminui e nossos direitos desaparecem. O direito pela mobilidade urbana está em nossa Constituição, que a todo momento é desrespeitada, assim como a população. A nossa luta é por um transporte mais acessível e, por isso, não aceitaremos essa passagem abusiva. Precisamos de um transporte coletivo de qualidade que atenda toda população. Não recuaremos enquanto o prefeito não revogar o aumento da passagem!”.

Outras reivindicações

Uma tarifa única que não prejudique moradores de diferentes regiões.
 Mais ônibus para atender a população, porque não somos sardinhas para andarmos enlatados. Ônibus com mais horários e que cumpram esses horários.
Passe livre para os estudantes de Aracruz.
Tarifa social aos domingos para que a população possa desfrutar de lazer e cultura.
Adequação para a acessibilidade de deficientes físicos.

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