Pressão permanente

PMES e civis se unem em um “pacto unificado” para cobrar de Casagrande. Se esse caldo entorna...

Tema sensível ao governo do Estado, a insatisfação dos policiais militares e civis com Renato Casagrande tem reflexos cada vez mais marcantes, como volta a circular nos bastidores da área. Há pouco tempo, diante da polêmica do projeto de promoções da PMES e bombeiros, esse mesmo clima veio à tona, sinalizando até a possibilidade de os capixabas reviverem o pesadelo de fevereiro de 2017. A dinâmica atual, no entanto, seria outra: uma espécie de rebelião interna, que, inevitavelmente, tem consequências na atuação das polícias, desmotivadas em decorrência de promessas de campanha não cumpridas – com exceção da anistia administrativa aos militares acusados de participação na greve. Outra diferença do movimento que marcou negativamente a gestão passada de Paulo Hartung, inclusive em âmbito nacional, é que as categorias de segurança pública se uniram em um “pacto unificado”. A frente é formada por entidades representativas da PMES e bombeiros e também da Polícia Civil (delegados, investigadores e peritos) - esta última, para quem não se lembra, não aderiu à paralisação de 2017, evitando o agravamento do já crítico problema. O objetivo do grupo, segundo anunciam, é lutar de forma “ampla, conjunta, técnica e permanente” pela valorização salarial dos operadores da segurança, seguindo “parâmetros que visam alcançar dignidade e respeito profissional”. Mas, com o governo irredutível em negociar, a situação se torna mais um caldo prestes a entornar na direção de Casagrande, neste caso, de proporções gigantescas. 

Pressão permanente II
Não é de hoje que os policiais têm lançado sinais ao governo do Estado, sem nenhum êxito. Outro termômetro claro das insatisfações é a atuação dos deputados das áreas, que vivem levando ao plenário as demandas não atendidas. Leia-se Capitão Assumção (PSL) e coronel Alexandre Quintino (PSL) e os delegados Danilo Bahiense (PSL) e Lorenzo Pazolini (sem partido).

Pressão permanente III
Além das pautas específicas, que tratam da questão salarial e condições inadequadas de trabalho, as críticas convergem para o mesmo ponto: a falta de diálogo com o governo Casagrande. Que vem a ser, também, a reclamação dos demais sindicatos de servidores estaduais, reunidos no Sindipúblicos.

Desempate
Relator dos seis projetos que querem sustar o decreto de armas de Bolsonaro, em análise na Comissão de Constituição e Justiça, o senador Marcos do Val (PPS) pediu ajuda aos seus seguidores nas redes sociais para pressionais os demais parlamentares a votarem em favor do seu parecer, que defende a cartilha de Bolsonaro. A contar pelo Estado, Fabiano Contarato (Rede) é terminantemente contra. E Rose de Freitas (MDB), já marcou posição?

Discurso errado
Na apresentação do seu relatório, na última semana, Do Val usou como um de seus argumentos um referendo de 2005, já ultrapassado, para dizer que a posse e porte de armas são demandas da população. Logo depois veio a pesquisa Ibope divulgada pelo jornal O Globo, apresentando índices completamente divergentes: 73% são contra a flexibilização do porte para o cidadão comum e 61% discordam também da posse. Passou longe, senador!

Simplório
Aí, diante da repercussão dos números, nesta segunda-feira (3) Do Val foi novamente para as redes sociais apresentar dados do exterior - sem fonte – e, assim, tentar convencer da sua tese, com a frase: “Armas não matam pessoas. Pessoas matam pessoas”.

Desmandos
Contarato e Do Val, raríssimas exceções, legislam em terrenos completamente opostos. Na sexta-feira (31) passada, Contarato pediu até perdão à população nas redes sociais, pelos desmandos do governo Bolsonaro. 

Desmandos II
O recado foi direcionado às classes mais pobres, diante da ofensiva armamentista, aos estudantes e às universidades, pelo desmonte da Educação, e aos ambientalistas e cientistas, pelas investidas contra o Ministério do Meio Ambiente (MMA).

Vento virou
Uma publicação do último dia 25 do deputado federal Amaro Neto (PRB) no Facebook sobre seu programa de TV já registra 1,3 mil comentários. O assunto era outro, mas como foi feita um dia após a votação na Câmara que retirou o Conselho das Atividades Financeiras (Coaf) das mãos do ministro Sergio Moro, virou campo minado contra o deputado. E agora, o pessoal não vai lá se redimir, não?

Vento virou II
Como se sabe, o governo Bolsonaro recuou e passou a defender, no Senado, a aprovação do projeto igual ao aprovado pelos deputados federais - Coaf na pasta de Economia -, o que garantiu após manobras políticas. Até seus eleitores, que tinha ido às ruas de cartazes e tudo em defesa do Conselho com Moro, “bugaram”, como diz a gíria popular.

PENSAMENTO:
“O esquecimento mata as injúrias. A vingança multiplica-as”. Benjamin Franklin

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1 Comentários
  • JOSÉ CARLOS BERNARDES , quarta, 05 de junho de 2019

    "Contarato pediu até perdão à população nas redes sociais, pelos desmandos do governo Bolsonaro" é uma FALÁCIA que não merece crédito. Esses "desmandos" é o que quer a maioria avassaladora da população brasileira. Absurdo é um Senador ficar com ativismo judicial contra os atos do Governo Federal, em detrimento do desejo da maioria. Apesar de não ter votado nele, Marcos do Val é o único Senador que realmente representa os interesses da população brasileira, já que a Democracia é representada pela maioria...ou não?! Peço perdão por expressar minha opinião, mas somente um Senador tem chances de reeleição e dois Senadores não seriam reeleitos no Espírito Santo, um por ativismo e outro por omissão. Quanto ao COAF, ninguém "bugou", como induz a matéria, mas todos sabem que se a Medida Provisória teria que ser votada como saiu da Câmara, pois não seria convolada em Lei a tempo.

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