Projeto quer incluir PANCs na gastronomia capixaba

Parceria de restaurante e instituto de pesquisa incentiva uso de Plantas Alimentícias Não-Convencionais

Elas parecem apenas mato, mas são nutritivas e podem ficar deliciosas em diversos pratos. As Plantas Alimentícias Não-Convencionais (PANCs) são foco de um novo projeto de gastronomia que busca trazer sabores diferentes e fortalecer os pequenos agricultores do Espírito Santo.

Vinagreira, bertalha, beldroega, ora pro nobis, araçaúna, pimenta rosa (aroeira) são algumas das mais comuns PANCs no território do Espírito Santo. Técnicos do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) já mapearam 80 destas plantas e avaliam que os agricultores capixabas têm condição de fornecer cerca de 40 delas. O restaurante Cosmô, liderado pela chef Marja Akina, está trabalhando em parceria para a criação de receitas a partir destas plantas como forma de visibilizá-las e inserir no cardápio gastronômico.

Como muitas destas plantas são sazonais e não estão disponíveis o ano inteiro, a proposta inicial do restaurante é realizar eventos mensais utilizando os vegetais de cada temporada.  “A nossa ideia é, além de inovar, gerar oportunidade para todas as áreas. Para o produtor, para que outros restaurantes também insiram esse tipo de culinária no seu menu. Independente se o negócio der certo ou não, eu já fico feliz por ter levantado essa bandeira”, diz Marja, que foi quem idealizou o projeto.

Fabiana Ruas, técnica do Incaper participante do projeto, aponta diversos pontos positivos no incentivo ao consumo de PANCs. Ela lembra que são alimentos que eram muito consumidos antigamente nas comunidades rurais, mas aos poucos foram sendo esquecidos ou deixados de lado, como é o caso do tomatinho do mato, que era usado na moqueca capixaba. Fabiana está visitando comunidades e as fazendas do Incaper pelo Estado para mapear e trazer provas das PANCs para testes.

"Com tecnologia simples é possível potencializar essa produção", diz. A vantagem é que as PANCs geralmente brotam com facilidade, não precisam de tantos cuidados e crescem e se desenvolvem muito rapidamente, possibilitando um retorno rápido de recursos para o produtor.

"A ideia é abrir mercado para o produtor rural, pois quanto mais alternativas ele tiver para diversificar sua produção e sua fonte de renda, melhor, pois vai ter alternativas para colher em diferentes épocas do ano, com maior sustentabilidade". Muitas são plantas nativas, adaptadas ao meio, que possuem também a vantagem de favorecer o cultivo orgânico, sem uso de agrotóxicos ou adubação química.

Victor Peres, assistente de marketing do Cosmô, enxerga oportunidade para desenvolver outros setores da economia. "Visualizamos uma grande possibilidade de utilizar esses alimentos, que são nativos daqui. Queremos apresentar e fortalecer essa cultura gastronômica, envolver o público na gastronomia para que eles possam divulgar esse tipo de alimento, e abrir um novo leque para que o turismo gastronômico no Estado”, destacou. 

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1 Comentários
  • Cledson Felippe , quarta, 19 de fevereiro de 2020

    PANCs: complicado nome. Hortaliças tropicais vejo que é mais digestível. Digo isso porque é assim que a agroecologia as reconhecem, pois tem base científica e paradigma próprio. Todas hortaliças tropicais assim como as frutas tropicais, além de atenderem os quesitos nutricionais são funcionais. Se algumas saíram do mercado de massa e outras não, isto e questão de oferta e marketing em prol das culturas responsivas a insumos químicos. Que bom que novas cabeças na extensão estão pesando em coisas importantes para o futuro da agricultura articulada com a qualidade de vida dos consumidores.

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