Protetores de animais preocupados com casos de esporotricose em gatos

Maior risco é com animais em situação de rua, que interagem com crianças e podem transmitir a doença

Um aparente surto de esporotricose em gatos preocupa protetores de animais em Vitória. A doença é uma zoonose, ou seja, pode ser transmitida para seres humanos, e tem atingido animais em situação de rua, o que é o maior problema. 

“As crianças brincam com os gatos, podem se contaminar”, alerta José Antonio, líder comunitário em Jesus de Nazareth e membro do Conselho Popular de Vitória (CPV). No bairro, informa, os casos têm crescido. 

Elbamar Caversan, diretora de Bem-Estar Animal do CPV, diz que tem recebido pedidos de socorro em diversos outros bairros da Capital, como Piedade, São Pedro, Ilha de Santa Maria e Grande Goiabeiras, feitos por líderes comunitários e protetores independentes de animais. 

Ainda em agosto, na audiência pública sobre controle populacional de animais em situação de rua, realizada pela Câmara de Vereadores, Elbamar relata que foi registrada denúncia de contaminação no Asilo dos Idosos, por meio da interação dos idosos com gatos. E na Grande Goiabeiras, é frequente o sacrifício dos animais doentes pelos moradores, com medo de contaminação. 

Muitos desses casos, afirma Elbamar, já são de conhecimentos do Centro de Vigilância em Saúde Ambiental (CVSA), que afirmou dispor de medicação para tratamento em massa, de forma a evitar que o surto, que já atinge outras regiões do País, se agrave na cidade. Mas a medida só irá contemplar animais domiciliados, por meio de chamados abertos no telefone 156. 

A exclusão dos animais que vivem em situação de rua torna a ação bastante insatisfatória, critica Elbamar. “Se houvesse uma política pública de castração, haveria controle populacional e não estaria acontecendo isso. É dever do Estado e do município cuidar desses animais. Não tem que sacrificar, tem que cuidar. Tem que ter medicação dentro do CVSA pra recolher os animais e fazer os tratamentos”, roga a diretora do CPV. 

“O que acontece é que o problema vai continuar caindo nas costas dos protetores independentes, que socorrem os animais e gastam o que têm e o que não têm, do seu bolso”, conta. 

A esporotricose já foi conhecida como “a doença do jardineiro”, pois era comum em agricultores e outros profissionais em contato com plantas e solo em ambientes naturais, onde o fungo estivesse presente. Além dos humanos, também atinge os animais silvestres e domésticos, como gato e cachorro. Os gatos, em especial, adquirem uma forma grave e disseminada da doença.

O tratamento é à base de antifúngico e quanto antes se iniciar o tratamento, melhores as condições de cura e de evitar a contaminação de outros animais e pessoas. 

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