PSDB tenta se reerguer mas encontra barreiras em disputas internas

Neuzinha de Oliveira e Wesley Goggi disputam o diretório municipal de Vitória do PSDB no dia 31 de março

Ainda tentando “juntar os cacos” depois de uma campanha desastrosa em 2018, o PSDB no Espírito Santo segue com disputas internas que impedem que o partido encontre condições de se reorganizar. A mais recente divisão foi registrada nessa sexta-feira (22), com a renúncia do vereador Max da Mata à presidência do Diretório Municipal de Vitória. 

Da Mata saiu da disputa por não conseguir formar uma chapa para concorrer à eleição, que será realizada no próximo dia 31, agora com dois candidatos: a vereadora Neuzinha de Oliveira e o ex-presidente do diretório municipal, Wesley Goggi.  

Em nota distribuída na noite de sexta-feira, Max da Mata manifesta apoio à campanha de Neuzinha de Oliveira, atendendo aos acenos do deputado estadual Vandinho Leite, que, embora tenha reduto eleitoral no município da Serra, busca ampliar sua base eleitoral para voos mais altos nas eleições municipais de 2020. 

Wesley Goggi, que foi vice-prefeito na chapa do hoje ministro adjunto de Cidadania do governo Jair Bolsonaro, Lelo Coimbra, na disputa à Prefeitura de Vitória em 2016, ainda mantém esse vínculo eleitoral, apesar de Lelo pertencer ao MDB. Apesar disso, consegue o apoio de grupos tradicionais do partido.      

Seus integrantes veem esses movimentos com insatisfação, aumentando o abatimento gerado na campanha desfavorável de 2018. Eles creditam essa situação à intromissão no partido do ex-governador Paulo Hartung, apoiada pelo presidente estadual, então vice-governador César Colnago e do próprio Vandinho, que ocupou por duas vezes secretarias de Estado na gestão de Hartung.  

No início de 2018, o PSDB surgiu como uma das principais bases de sustentação do governo Paulo Hartung, apontado como candidato à reeleição com grandes chances de vitória. Criou-se um quadro no qual o governador exercia influência no partido, desagradando lideranças como o prefeito de Vila Velha, Max Filho. 

O governo chegou a impor a filiação de novos membros e a exigir o lançamento de candidaturas, como a do ex-secretário Octaciano Neto, dando ao PSDB o direcionamento palaciano que gerou uma debandada de quadros importantes, entre eles o deputado estadual Sergio Majeski, atualmente no PSB, e o ex-prefeito de Vitória Luiz Paulo Vellozo Lucas, no PPS. 

Diante do avanço do candidato e hoje governador Renato Casagrande (PSB), Hartung recuou e desistiu da disputa, antevendo uma derrota revelada em pesquisas. 

Foi o caos e até o vice-governador Colnago, presidente do partido, depois de algumas tentativas infrutíferas de autonomia, aliou-se ao governador Renato Casagrande, levado pelo então senador Ricardo Ferraço, que assumiu o controle partidário. 

Esse controle, segundo afirmam fontes tucanas, ainda se encontra sem equilíbrio, o que poderá provocar outro esvaziamento, como em 2018. 

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