Qualidade da água de Cedrolândia pode afetar alunos na volta às aulas

Preocupação com água da escola foi levada ao Ministério Público, à OAB e ao governador Renato Casagrande

Moradores de Cedrolândia, localizada na zona rural do município de Nova Venécia, noroeste do Espírito Santo, continuam na luta para que a qualidade da água distribuída para consumo na localidade seja melhorada. De cor amarela e gordurosa, há suspeitas de contaminação. Apesar de várias reclamações realizadas na Prefeitura e na Companhia Espírito-Santense de Saneamento (Cesan), até então nenhuma atitude foi tomada. A preocupação, agora, é com a volta às aulas na única escola pública da localidade. A água é usada para consumo de mais de 200 crianças e servidores, além de utilizada no preparo das merendas. 
 
Na última semana, três novas denúncias foram realizadas na Promotoria de Justiça de Nova Venécia, na Comissão de Direitos Humanos da seccional capixaba da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-ES) e outra protocolada no Palácio Anchieta e direcionada ao próprio governador Renato Casagrande (PSB).

Cedrolândia tem cerca de mil habitantes e é a maior concentração de pessoas fora da sede de Nova Venécia. O tratamento de água na localidade foi abandonado pela Cesan, apesar do contrato assinado com o município em 2009 válido por 30 anos.

O serviço então passou a ser realizado por uma Comissão de Água de Cedrolândia (CAC), ligada à Associação de Moradores. A CAC, no entanto, não conta com os equipamentos e acompanhamento técnico necessários.

O resultado é uma água carregada de impurezas, de cor amarelo escuro e gordurosa. A água abastece toda a comunidade, que paga regularmente pelo mau serviço, por meio de faturas impressas em nome da CAC.

Em dezembro de 2018, os moradores também participaram de sessão da Câmara Municipal em busca de apoio dos vereadores para criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigue a má qualidade da água na comunidade. Com cartazes pregados na entrada do prédio e requerimento em mãos para leitura no Plenário, os manifestantes relataram o descaso da prefeitura e da Companhia Espírito-Santense de Saneamento (Cesan) e exigiram providências do legislativo.

No início do mesmo ano, o presidente da Câmara de Vereadores, Antonio Emilio (PPS), havia encaminhado um ofício ao então diretor-presidente da Cesan, Pablo Ferraço, requerendo informações sobre a falta de captação, adução e tratamento de água bruta do lugar.

Em maio, um Pedido de Providência foi protocolado no Ministério Público Estadual com relação à situação. O documento menciona, além da contaminação da água, as instalações da Estação de Tratamento de Água (ETA) também apresentam graves problemas estruturais, constatados por vistoria da Defesa Civil de Nova Venécia, realizada no final de fevereiro de 2018.

No laudo, a Defesa Civil informa que “o reservatório de água oferece risco parcial à integridade física, à vida e ao patrimônio”, com “diversas patologias, como trincas e rede elétrica com avarias, colocando os operadores e moradores em risco”.

A ausência de tratamento de esgoto também é mencionada no Pedido de Providência, ao relatar que há anos foi iniciada a obra de um “pinicão” nas proximidades da escola, com a finalidade de ser realizado o tratamento de esgoto local, mas a obra não foi concluída, tendo sido abandonada.

O esgoto da comunidade, por isso, continua sem receber o devido tratamento, “sendo despejado no Rio Guararema que corre pelo Patrimônio”, rio este que “encontra-se poluído e morrendo”.
 
Em julho do ano passado, o prefeito de Nova Venécia, Lubiana Barrigueira, do mesmo partido de Casagrande, recebeu em seu gabinete representantes da Associação de Moradores e Produtores de Cedrolândia (Amprec), para discutir e apontar os caminhos para resolver o problema do abastecimento de água na comunidade. Um levantamento prévio foi realizado para apontar quais são os investimentos necessários para que seja restabelecido o abastecimento de água tratada no local, mas, até então, os problemas persistem. 

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