Que tal um showzinho na sala de estar?

Casa Guava é um dos poucos espaços para a arte autoral no bairro mais populoso de Vitória

466A é o número da casa, pregado no muro logo acima de uma campainha de cabeça pra baixo. Rústica por fora e moderna por dentro, é ali que funciona a Guava, um espaço para as artes no bairro mais populoso de Vitória, Jardim Camburi, que recebe os visitantes com uma atmosfera de aconchego a partir de um pequeno jardim e um pátio de entrada.

Na curiosa realidade da capital capixaba, Jardim Camburi é uma ilha, embora fiquei no continente. Último bairro do município - ou primeiro, a depender do ponto de vista -, é dotado de ampla oferta de serviços, talvez justamente por esse “isolamento”. Mas para quem tem sede e fome de arte e cultura, é difícil se satisfazer no bairro.

É nesse contexto que a Guava se coloca como um local para o encontro de artistas e outros profissionais independentes desenvolverem seus trabalhos, se encontrarem e trocarem experiências em meio a um ambiente de tranquilidade e contato com a natureza. “A gente costuma dizer que a Guava é um laboratório de projetos artísticos, um espaço onde a pessoa tem liberdade criativa para desenvolver seu projeto ligado à arte”, diz Victoria Dessaune, uma das responsáveis pelo local, que fica ao lado da casa onde vive.

Lá funcionam um estúdio de tatuagem, estúdio de fotografia e uma sala para reuniões e cursos que pode ser compartilhada. Mas para chegar a elas há que passar por uma sala de estar, o maior espaço da casa. É ali, emendando com o pátio de entrada, onde acontecem eventos mensais focados na música e na produção autoral de artistas locais.

Um dos projetos da casa é o Guavalajara, que reúne diversas linguagens artísticas como exposições, música, tatuagem e um mercado criativo com produtos, comidas e bebidas. O segundo projeto é o Guava Sessions, evento de música autoral que convida artistas a apresentarem seus trabalhos num ambiente intimista, que comporta no máximo 70 pessoas, para que todos possam estar confortáveis e sentir-se “em casa”. É, literalmente, estar com artistas tocando numa sala de estar.

Realizado geralmente aos domingos, já passaram pelo projeto André Prando, Gabriela Brown, Preta Roots, Budah, Soltos & Prensados, Dan Abranches, MUDO e Vitor Locatelli. Em 17 fevereiro, as atrações serão Fepaschoal e MUDO, que retorna ao local. “É mais legal vir descobrir um som novo do que algo já conhecido. Tem a ver com a proposta da casa de produzir coisa nossa”, diz a fotógrafa e produtora cultural sobre a aposta do espaço em valorizar a música autoral.

Se a proposta do Guava Sessions é apresentar pocket shows com várias atrações no mesmo dia, estreia no próximo sábado (26) um novo formato de evento, o Tropicana, trazendo um show completo em formato acústico de um artista ou banda. A convidada para a estreia é a capixaba Luiza Boê, cantora e compositora radicada no Rio de Janeiro.

As atividades começam à tarde e terminam até as 21h para manter a tranquilidade junto à vizinhança.  O jogo de luz, a música ambiente, a arte que se espalha pelas paredes, quadros, plantas, tudo é preparado com esmero. Cuidado e transformação parecem ser palavras chaves para definir o espaço e seus inquietos gestores. “Sempre tentamos ajeitar algumas coisas da sala para caber todo mundo, mexemos em móveis, adaptamos, pintamos. Cada vez que vier aqui a pessoa vai encontrar um espaço diferente, nunca vai ser um mesmo, sempre tem um detalhe novo”, diz Victória.

Ela se diz satisfeita com a circulação de pessoas do bairro, que encontram uma opção próxima para curtir arte autoral. Para quem é de outros lugares, pode ser uma boa desculpa para dar uma volta em Jardim Camburi.

AGENDA CULTURAL

Tropicana - show com Luiza Boê

Quando: Sábado (26), às 16h

Onde: Guava - Rua Orlando Caliman, 466A

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