Quem dá as cartas?

Lauriete garante fidelidade ao PR e se movimenta em paralelo ao ex-senador e ex-marido Magno Malta

“Há uma movimentação política já visando as próximas eleições e fui interpelada por alguns partidos, mas me mantenho fiel ao PR”. A garantia é da deputada federal Lauriete e afasta, por ora, as especulações de que ela estaria de saída do atual partido, comandado há anos no Estado pelo seu ex- marido e ex-senador Magno Malta. A decisão, por outro lado, abre campo para uma disputa interna com Magno que, como circula nos bastidores, já estaria em curso. Na planície, ao contrário de Lauriete, Magno tem circulado por municípios do interior do Espírito Santo para armar as eleições de 2020. Ele não é candidato – seria descer muitos degraus depois de uma derrota acachapante à reeleição -, mas está em contato com as bases do PR, sigla que por aqui se resume a poucos quadros. Em movimento paralelo, Lauriete também está com a mesa de negociação posta, conversando com lideranças já de olho em alianças na disputa do próximo ano. Em tese, pelo cargo que ocupa e que lhe confere hoje o título de principal nome do partido no Estado, deveria ser a dona da caneta das articulações e, inclusive, a presidente regional da legenda. No entanto, Magno não parece nada disposto a ceder o posto. Pergunta que não quer calar: diante de uma deputada com mandato e potencial eleitoral e de um ex-senador derrotado e rejeitado pelo governo do aliado, Jair Bolsonaro, quem afinal dará as cartas do partido no Espírito Santo? Com a palavra, a Nacional do PR...

Sai, não sai
A propósito, o vereador de Vila Velha, Heliossandro Mattos, se diz “entre a cruz e a espada”. Segundo ele, Magno o avisou que deve sair do partido. Já Lauriete o contrário: não só fica como terá a missão de reconstruir a legenda no município, o que atenderia à orientação da Nacional. E aí?

Tour
O ex-senador, que agora tem tempo de sobra, somente nos últimos dias visitou oito municípios de norte a sul do Estado. Em todos, gravou vídeo e publicou nas redes sociais. Magno não vive sem um holofote. 

Memória
Na linha de frente do movimento da Polícia Civil que explodiu esta semana, Rodolfo Laterza, presidente do Sindicato dos Delegados (Sindepes), ficou conhecido no passado por comandar duas operações com forte repercussão no mercado político: Derrama e Pixote. Não à toa, acabou demitido do Núcleo de Operações Criminosas e Combate à Corrupção (Nuroc), então responsável pelas investigações.

Memória II
A última delas, a Derrama, relevou um esquema de cobrança ilegal de tributos envolvendo municípios capixabas. Houve prisão de “peixes grandes” – 10 ex-prefeitos -, muito rebuliço, mas acabou em quase nada. Já a Pixote apontou núcleo de corrupção no Instituto de Atendimento Socioeducativo (Iases).

Contra a parede
Se não me engano, antes dessa segunda-feira (8), a última vez que Laterza esteve no plenário da Assembleia foi em 2015, convocado pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Sonegação Fiscal, então presidida pelo atual líder do Governo, Enivaldo dos Anjos (PSD). Os deputados arrumaram um jeito de incluir a Derrama na pauta, para executar a vingança ao delegado.

Ensaiado
A reunião foi, de fato, um show à parte, conduzido em especial pelo membro da Comissão, Guerino Zanon (MDB), que tentou “ir às forras” contra Laterza, porém sem sucesso. Outro que subiu ao palco foi Theodorico Ferraço (DEM), com acusações e xingamentos ao desembargador Pedro Valls Feu Rosa, na época presidente do Tribunal de Justiça (TJES). 

Segue...
Zanon, ex-atual prefeito de Linhares, foi um dos presos na operação, bem como a mulher de Theodorico, Norma Ayub (DEM), ex-prefeita de Itapemirim e hoje deputada federal em segundo mandato. Os dois se livraram das acusações.

Efeitos
Tempos depois, já fora da presidência do Tribunal, Pedro Valls denunciou que sofreu ameaças em decorrência da operação e defendeu a federalização do caso. O assunto, no entanto, acabou como tantos outros, no esquecimento.

Reação
O deputado federal Evair de Melo (PP) é alvo de carta de repúdio da Federação dos Trabalhadores Rurais, Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado (Fetaes) e dos sindicatos da área em Iúna e Irupi. Motivo: em recente evento em Iúna, Evair disse que a Previdência Social Rural é deficitária porque milhares de aposentadorias e pensões rurais foram concedidas de “forma fraudulenta”. 

Reação II
As entidades afirmam que Evair agiu de má-fé para desestruturar uma política tão importante para o campo e atacar os sindicatos rurais, e cobram “mais respeito com quem produz alimentos, contribui para o combate à pobreza, distribui renda e ajuda o comércio e economia dos pequenos e médios municípios do Estado”. Para quem diz representar o setor, hein, o deputado deu um tiro no próprio pé.

PENSAMENTO:
“Não deixe de perdoar os seus inimigos - nada os irrita tanto”. Oscar Wilde

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