Quente, pelando

Bate-boca entre Vandinho Leite e Sergio Majeski na Assembleia sobre Educação: é só o começo

Com posições confrontantes na área da Educação e protagonistas da disputa interna que definiu o comando da comissão na Assembleia Legislativa, os deputados Vandinho Leite (PSDB) e Sergio Majeski (PSB) trocaram as primeiras farpas pesadas em plenário na sessão desta segunda-feira (11). Como vem fazendo desde o primeiro mandato, Majeski repetiu seu discurso em defesa dos professores, que têm sido alvos de movimentos nacionais dos campos conservadores e religiosos, e refutou a ideia de que a categoria é vilã ou representa ameaça aos alunos, além de criticar o projeto Escola Sem Partido e a ideia de doutrinação em sala de aula. Falou em tom ameno, convocando para reflexão, mas a carapuça, literalmente, serviu! E aí, Vandinho, que tem dois projetos na mesma linha, ficou atacado. Subiu à tribuna dizendo que resolveu mudar o tema do seu pronunciamento por conta do discurso “bizarro” de Majeski. Começou falando baixo, mas depois saiu chutando canela, exaltado. Citou “ki gay”, marxismo, Jean Wilys, militantes de PT, Psol e PCdoB nas universidades, ideologia de gênero e inversão de valores, para então concluir que Majeski estava de “conversa fiada”, “distorcendo os fatos” e repetindo uma “narrativa impositiva à sociedade”, enquanto seus projetos têm tido apoio de vários segmentos, que não “aguentam mais pouca vergonha nas escolas”. Tentaram impedir, mas Majeski rebateu, instalando-se um bate-boca daqueles. O socialista disse que os projetos do tucano eram meras cópias, porque ele não entende nada de educação, e exigiu respeito, pois é um pesquisador da área e Vandinho tem um “certificado de quinta categoria”, emendando: “bizarro é o senhor, conheço muito sua carreira”. A reação provocou gritos de Vandinho do outro lado, no mesmo sentido, até serem interrompidos. Era o fim da sessão, que veio a calhar para encerrar o embate, pelo menos por algum tempo. A previsão é de novos e acirrados capítulos, marcando território tanto na Assembleia como fora dela. O ano legislativo só começou...

Imperdível
No meio do discurso, Vandinho também avisou que levará à tribuna livre da Casa um estudante de direita da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), para relatar “tudo que ele passa”. Essa eu quero até ver...

Alô, 2020!
O tema de Vandinho inicial, como ele fez questão de comunicar, era a “farra de nomeações partidárias e políticas na Secretaria de Trabalho e Assistência Social”, comandada agora pelo deputado licenciado Bruno Lamas, do PSB do governador Renato Casagrande, e do mesmo reduto eleitoral de Vandinho, o município da Serra.

Agora aguenta 
Volto a perguntar: que bela estratégia do governo dar espaço para Vandinho em detrimento de Majeski, como fez em relação à presidência da Comissão de Educação, hein? É porrada atrás de porrada. 

Recusou
Aliás, Majeski anunciou em plenário, nessa segunda, sua saída do colegiado de Ciência e Tecnologia, onde atuaria como membro efetivo. Ele não apresentou os motivos para a decisão. 

Ciclista
Ainda sobre o pronunciamento de Vandinho, que mirou no PT e etc., foi depois também de uma longa defesa de Iriny Lopes aos 40 anos de fundação do partido, quando defendeu o legado do ex-presidente Lula e criticou sua “prisão política”, além de abordar o impeachment de Dilma Rousseff. “Pedalar por pedalar, o ex-governador Paulo Hartung era uma bicicleta em movimento”, apontou, referindo-se às pedaladas fiscais.

Masmorras de Hartung
A deputada também lamentou o incêndio no centro de treinamento do Flamengo e suas vítimas, lembrando que quem exportou a ideia de colocar pessoas em contêineres foi o Espírito Santo, no governo Hartung, para fazer cumprir pena de condenados pela Justiça. “Mas o projeto não nasceu com ar-condicionado” [nem banheiro]”, lembrou Iriny, recordando a denúncia feita à Organização das Nações Unidas (ONU).

Ausências
Casagrande reuniu no Palácio Anchieta, na manhã desta segunda, a nova bancada capixaba no Congresso Nacional, para a primeira reunião de articulação das demandas sobre obras em rodovias e de infraestrutura. Únicas ausências: a senadora Rose de Freitas (Podemos), que disputou contra Casagrande em outubro passado, e a deputada federal Norma Ayub (DEM). Razões?

Terreno próprio
Norma, como se sabe, é mulher do deputado estadual Theodorico Ferraço, também do DEM, que declarou recentemente posição de independência na Assembleia, depois de ter sido um dos primeiro a apoiar o palanque de Casagrande e ficar de fora das articulações para a divisão de espaços na Assembleia. Mas a deputada não deixou de participar, nesse sábado (9), da solenidade do governo de assinatura de ordem de serviço para reurbanização da orla de Marataízes. E nem poderia, o município é sua base eleitoral. 

Recado
Ao lado de Casagrande, fez um discurso para a população, sem deixar de citar, algumas vezes, a importância de Theodorico Ferraço em cobranças e ações para a região. 

No cargo
Na reunião dessa segunda no Palácio, estreia do secretário de Estado de Saneamento, Habitação e Desenvolvimento Urbano, Marcus Vicente, que tomou posse na última sexta-feira (1). Ele era o coordenador da bancada, posto agora ocupado por Da Vitória (PPS), novato em Brasília.

PENSAMENTO:
“O verdadeiro analfabeto é aquele que sabe ler, mas não lê”. Mario Quintana

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3 Comentários
  • Araujo , terça, 12 de fevereiro de 2019

    Tirar Leite de pedra, na comissão da educação, essa tarefa difícil e improdutiva na Assembleia da Terra dos Papagaios. Discussão que já nasceu démodé, vai fazer firula para seus eleitores bizarros com seu dinheiro, seu DNA é Tipo C.

  • Guilherme H Pereira , terça, 12 de fevereiro de 2019

    É uma grande perda para a sociedade capixaba a ALES ter escolhido Vandinho para presidir a Comissão de Educação. Justamente este tema que mais precisamos construir projetos inovadores, precisamos de rupturas importantes para poder avançar muito e superar nossos atrasos. Colocar uma pessoa fora do debate, sem conhecimento do assunto só lhe deixa uma alternativa: trazer para a discussão questões marginais que nada têm de significativo para a educação. São os casos dos assuntos relacionados à comportamento e ao debate político e cultural. É preciso entender que a evolução social ocorrerá por movimentos próprios e não é uma questão de leis e programas de governo. Vandinho, siga o conselho de quem gosta de você: pede para ir ao banheiro e volta com a humildade de se juntar aos que estão discutindo o que realmente precisamos na educação; ou seja mais ousado e inteligente: saia fora dessa presidência de comissão de educação.

  • SANDRA CASSARO , terça, 12 de fevereiro de 2019

    Apoio total a Vandinho Leite. Não aguentamos mais tanta doutrinação ideológica, que desde 1969 vem sendo aplicada no Brasil, através do CEBRAP, criado por FHC, na USP, onde começou a aplicação de Antônio Gransci. As universidades brasileiras estão infestadas de professores doutrinadores, que destroem nossos jovens e arruínam famílias. Aonde que o COMUNISMO deu certo no mundo, Sr. Majeski ??? Ideologia que mais matou e mata e ainda um deputado se dá o desfrute de defendê-la. UMA VERGONHA, UM NOJO ! GO VANDINHO!!!!!!

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