Recorte necessário

Iriny relembra o que a Assembleia tanto fez questão de esquecer: as ''masmorras de Hartung''

Se na legislatura passada o problema ficou apagado, como bandeira de ninguém, na atual já tem aparecido com frequência, mas somente por uma voz, da deputada estadual Iriny Lopes (PT). Conhecidas como “masmorras de Paulo Hartung” e até hoje palcos de graves denúncias de violações e torturas, as unidades prisionais do Estado há muito tempo não eram assunto no plenário da Assembleia Legislativa. Raríssimas exceções, o discurso dominante passou a repetir o mantra do ex-governador de “reestruturação e gestão modelo na área”, ignorando uma pilha de documentos, relatórios e decisões judiciais que atestam o contrário. Há pouco tempo na cadeira de deputada, Iriny tem feito um recorte necessário sobre a questão, lembrando que o governo do Estado ainda responde a organismos internacionais por casos registrados na Unidade Socioeducativa (Unis) em Cariacica, além do histórico de mortes, decapitações de presos e utilização de contêineres para abrigar detentos, também levados à Organização dos Estados Americanos (OEA). O cenário não é exatamente o mesmo, mas nem tão diferente. Além da superlotação e condições insalubres, permanecem os relatos de maus-tratos e...tortura! É sobre esse último ponto que Iriny exige agora investigação rigorosa do governo Renato Casagrande, depois de discursar sobre um protesto realizado por familiares de presos em São Mateus, norte do Estado. Pernas e braços quebrados, perfuração de tiros de bala de borracha, olhos e rostos inchados por gás de pimenta são alguns dos fatos apontados, assim como a falta de distribuição de materiais básicos, como os kits de higiene. “Tortura é crime e seus executores são tão criminosos quanto quem está preso”, destacou a deputada. A resposta do atual governo dirá muito sobre os próximos anos.

‘Passinho’
Até aqui, a gestão de Casagrande tem demonstrado preocupação em relação ao problema da superlotação e afastou condenados por tortura que estavam  há anos protegidos por um forte sistema da Secretaria de Estado de Justiça (Sejus). Um bom começo, porém, é preciso muito mais.

‘Garante’
O senador Marcos Do Val (PPS) tem sido cobrado em suas redes sociais a confirmar e explicar a informação divulgada pela página MBL News, de que ele aderiu ao Plano de Seguridade Social dos Congressistas (PSSC), a  aposentadoria especial dos parlamentares. Do Val aparece numa lista de 44 senadores que constam no plano, no caso dele, com entrada logo no inicio deste ano. O senador nada disse sobre a questão. 

‘Garante’ II
Na mesma lista, consta a senadora Rose de Freitas (Pode), que teria aderido ainda em 2016. O MBL News afirma que obteve os dados por meio da Lei de Acesso à Informação. 

De fora
Já o “dono” da terceira cadeira do Estado no Senado, Fabiano Contarato (Rede), por enquanto seria o único de fora do regime privilegiado, que hoje garante aposentadorias bem gordas, inclusive na casa dos R$ 30 mil mensais, como é o caso do senador Magno Malta (PR), derrotado nas últimas eleições.

Ainda rende
Depois do embate dessa terça-feira (19), tendo como fundo as mudanças nas superintendências de Educação, o deputado estadual Vandinho Leite (PSDB) voltou ao microfone, nesta quarta, para dizer que “não serão nomeações do governo que irão calá-lo”. Ele avisou, no entanto, que não é oposição, mas sim “independente”. Hun, sei...

Ainda rende II
Para confrontar o deputado, quem apareceu desta vez foi Euclério Sampaio (DC), afirmando que Vandinho, que agora critica o atual governo, foi secretário e se calou, pois gostava da “chupetinha para mamar” na gestão pública. No caso, se referia ao terceiro mandato de Paulo Hartung, quando o tucano foi secretário de Ciência e Tecnologia.

Ainda rende III
Aí entrou José Esmeraldo (MDB), para lembrar outro período. “Nunca um secretário teve tanta cobertura como no governo anterior de Casagrande. Tanto que só não ganhou a eleição por uma infelicidade [regra de coligação]”. Memória: Vandinho comandava a pasta de Esportes, conhecida vitrine política do Estado, e obteve mais de 86 mil votos na disputa à Câmara Federal em 2014. O baque foi tão grande na época, que ele demorou a se recuperar da derrota.

Agora?
Funcionária de carreira da Vale, a deputada estadual Janete de Sá (PMN) não assinou o requerimento de criação da CPI para investigar os Termos de Compromisso Ambiental (TCAs) firmados com a mineradora e com a ArcelorMittal, além da licença de operação da Vale. Mas resolveu integrar o colegiado. Ela fez o pedido em plenário nessa segunda-feira (18), alegando que conhece a empresa e, portanto, tem muito a contribuir. Há controvérsias.

Cadeira cativa
O deputado federal Sérgio Vidigal, capitão do PDT no Estado há anos, foi reeleito para a vice-presidência do partido na região Sudeste. A convenção que realizou a eleição do diretório nacional foi realizada nessa segunda, em Brasília.

PENSAMENTO:
“O mal é como as mulas: teimoso e estéril”. Victor Hugo

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