Reforma da Delegacia de Cariacica causa transtorno a policiais e à população

Atendimento foi para Vila Velha, mas parte do efetivo está em Cariacica para evitar depredação do prédio

A falta de organização e planejamento do Estado para reformar a 4ª Delegacia Regional de Cariacica está causando transtornos aos policiais civis e à população de Cariacica e Vila Velha.

Ao invés de alugar um espaço no próprio município para funcionamento provisório, enquanto o prédio está fechado para reforma, como sugere o Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo (Sindipol/ES), a administração da Polícia Civil e o governo estadual decidiram transferir os atendimentos para a Regional de Cobilândia, em Vila Velha.

“Está causando prejuízo aos munícipes de Cariacica e Vila Velha. Cariacica já atende Viana e Cariacica. Os flagrantes que estão sendo encaminhados pra Vila Velha vão sobrecarregar Vila Velha. É mais um exemplo da má gestão da Polícia e do governo do Estado, especialmente nos quatro anos de Paulo Hartung”, critica o presidente do Sindipol/ES, Jorge Emiliio Leal.

Atualmente, a equipe de Cariacica está dividida. Dos 29 policiais civis que trabalham nos plantões da 4ª Regional, cinco continuam cumprindo escala todos os dias na unidade fechada, para evitar depredação do prédio e proteger o patrimônio público.

O plantão da 4º Delegacia Regional de Cariacica registra uma média de 25 ocorrências por dia e, para o Sindipol/ES, a retirada de cinco policiais para vigiar o prédio compromete o atendimento ao cidadão.

A Regional de Cariacica foi inspecionada várias vezes pela atual diretoria do Sindipol/ES, que registrou a falta de espaços para guardar materiais apreendidos, paredes com mofo e infiltração na unidade.

Além disso, veículos apreendidos ou recuperados se amontoavam na delegacia acumulando água, o que gerou uma infestação de mosquitos. Pela falta de um pátio, os veículos ficavam na rua e em um terreno baldio. Muitos foram depenados por criminosos na porta da delegacia.

A regional é a mesma delegacia onde, em junho de 2018, um empresário de 69 anos, após ter seu carro recuperado de um assalto, foi novamente roubado em frente à unidade enquanto registrava o boletim de ocorrência.

Deslocamento

Apesar da reforma ser urgente, o Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo lembra que a transferência da delegacia para Cobilândia significa deslocar a população de Cariacica para outro município.

Além da distância para a população, segundo o sindicato, as condições de trabalho continuam ruins para os policiais civis. “A delegacia de Cobilândia não tem o mínimo de estrutura para receber um plantão, ainda mais um plantão agitado como é o Cariacica. Os policiais trabalham em um local improvisado, estão dividindo o banheiro com presos que aguardam a confecção de ocorrências.  Isso tudo afeta o serviço prestado à população da cidade de Cariacica”, finalizou o presidente Jorge Emílio Leal.

Judicialização

A entidade prepara uma denúncia sobre o caso para o Ministério Público Estadual (MPES), evidenciando a “situação de periculosidade”. “A administração da Polícia está colocando o policial em risco de vida ao força-lo a trabalhar num ambiente como esse”, denuncia.

O sindicato já ajuizou ação civil pública, no MPES e no Ministério Público do Trabalho (MPT), sobre a precariedade da situação de trabalho dos policiais nas delegacias de Nova Venécia, São Mateus, Linhares, Colatina e Cachoeiro de Itapemirim, além da Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos, da Antisequestro e do pátio de Veículos de Alterosas.

Sucateamento

O sucateamento da Polícia Civil vem sendo denunciado sistematicamente pela entidade sindical. Segundo estudo feito pelo Sindicato, apenas 26% dos inquéritos abertos pela Polícia Civil capixaba em 2018 foram concluídos. Os números são referentes a todos os tipos de investigações.

Ao todo, são 1,9 mil policiais na ativa responsáveis por combater e investigar os crimes, o que significa que o Estado tem hoje um policial para cada 2 mil habitantes.

A defasagem no quadro de policiais civis supera 60%, segundo o último levantamento feito pelo Sindipol/ES, fato que levou o Conselho Nacional do Ministério Público a defender publicamente a injeção urgente de investimentos públicos na Polícia Civil capixaba.

Os números são alarmantes: na década de 1990, havia aproximadamente 3, 8 mil policiais para dois milhões de habitantes. Hoje, a população mais que dobrou e o efetivo baixou para 2,2 mil. A situação caótica vem sendo denunciada pelo Sindipol/ES há anos, acompanhada de cobrança assídua por melhorias ao Executivo e à Assembleia Legislativa.

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