Regência recebe Monumentos de Amor ao Rio Doce

Vila na foz do rio recebe projeto de Piatan Lube. Confira algumas cartas escritas por ribeirinhos

No último dia 5 de novembro, cumpriu-se três anos do crime socioambiental em Mariana, que marca a história do Rio Doce. Da ruptura da barragem foram 16 dias de uma espera angustiante até que a lama de rejeitos chegasse até a foz, onde está a vila de Regência Augusta, em Linhares, norte do Estado. Nesta semana de aniversário da tragédia, o local recebe um projeto que busca dar vazão à memória afetiva da população ribeirinha com o rio.

Deslocando os conceitos tradicionais de arte e artista, Monumentos ao Rio Doce, de Piatan Lube, realiza a troca de alimentos, dispostos em mandala, por cartas de amor ao rio. Em julho, o projeto esteve em Baixo Guandu, onde o Rio faz fronteira com Minas Gerais. Lá foram escritas cerca de 200 cartas. Na ocasião, Piatan conversou com o Século Diário (confira a entrevista). Agora, entre 7 e 12 de novembro, Regência recebe o projeto em diferentes pontos da vila onde o artista irá interagir com a população local.

Para Piatan, a arte pensada a partir do aspecto comunitário pode ajudar a tecer resistências contra as injustiças. “A voz ativista, de denúncia, é calada sistematicamente a cada dia, e a arte parece ser o único ponto capaz de fazer aflorar outras posturas políticas. Queremos procurar o potencial artístico e crítico em cada comunidade e afirmar uma nova postura do artista diante da criação de obras de arte, pois este monumento intervém dentro do coração dos nossos interlocutores, cocriadores, para fazer despertar um novo sentimento-realidade”.

Após o projeto, o artista seguirá na região para participar do III Encontro de Cultura Ancestral que acontece na comunidade de Areal entre 15 e 18 de novembro.

O artista compartilhou algumas das cartas escritas em Baixo Guandu, que você pode ler abaixo:

 

 

0 Comentários

Seja o primeiro a comentar.

Comente Aqui
Confirme seu comentário no e-mail em até 48 horas para manter ativo.
Matérias Relacionadas

Samarco, outro olhar

Três anos depois, crime da Samarco/Vale-BHP ainda não tem o tratamento merecido dos gestores públicos