Rodou na pista

Queda política de Hartung no Estado, pelo visto, o deixou totalmente aturdido

A queda política do governador Paulo Hartung no Estado o obriga a buscar saídas fora. O fim da sua Era de poder, que perdurou por 15 anos, parece tê-lo deixado totalmente aturdido. Quer ver? Ele aparece um dia no jornal Valor Econômico pregando a formação de um partido de centro no País, no outro, na imprensa capixaba (A Tribuna), dizendo que não tem nada a ver com esse movimento.

Quando se trata de partido político, PH já passou por quase todos. Encerrou agora no MDB. Sua passagem pelas legendas deixou rastros de destruição, à exceção do PSB, que o governador eleito, Renato Casagrande, segurou, Deus sabe como. Por onde passou, PH deixou consequências danosas a muitas lideranças políticas largadas ao léu.
 
No MDB, o partido tinha sete deputados na Assembleia Legislativa, inclusive o presidente, e um na Câmara dos Deputados. De repente, não tem mais nada. Lelo Coimbra, que é um fiel companheiro de PH desde os tempos da política estudantil, foi sacrificado. O que leva à constatação de que não houve nenhum grau de fidelidade de PH para garantir sua reeleição. 

Falar que PH não tinha condições de mantê-lo na Câmara é improcedente. Ele fez isso pelo deputado federal Evair de Melo (PP), ao oferecer o Departamento de Estrada de Rodagem (DER-ES) como um instrumento fundamental para a sua reeleição. 

Pergunto: o que será de Lelo agora? Convenhamos, ele sempre foi um quadro político de boa qualidade e que, inclusive, fará falta ao processo político capixaba.

PH também passou pelo PSDB. A consequência está aí. Um partido arrebentado. Se não fosse o Vandinho Leite com seu prestígio político na Serra para garantir uma vaga na Assembleia Legislativa, junto com mais outros dois, o que seria do ninho tucano?

E o vice-governador de PH, o candidato a deputado federal, César Colnago? Perdeu a eleição e não recebeu ajuda de PH. Pergunto também: o que vai ser de Colnago? PH, quando destrói alguém, o faz pra valer. Quantos serviços políticos Colnago prestou a PH? Quantas vezes ele foi para o sacrifício em prol do governador?

Tem ainda o Octaciano Neto. Este sequer conseguiu sair candidato a deputado federal pelo PSDB. Entretanto, eu acho que a maior crueldade de PH em proveito próprio foi o caso do Júlio Pompeu. Acadêmico de altíssima qualidade, PH o atraiu para o governo quando foi usado no caso da greve da Polícia Militar. Candidato a deputado estadual, teve pouco mais de 2.000 votos. O governador não deu nenhum ajuda. Deixou morrer na praia. 

O governador preferiu salvar o presidente da Assembleia, Erick Musso. Colocou-o no PRB, saiu com ele por todo o Estado e o reelegeu, na doce ilusão de que ele continuará presidindo o legislativo, o que não é tão fácil como se imagina. A Casa hoje está dividida em dois blocos: 15 eleitos e 15 novos. E mais: inevitavelmente, vai ter nesse processo as mãos de Casagrande. A reeleição de Erick é uma incógnita.  

Este é o novo cenário capixaba: um Hartung sem rumo e um governador eleito que já jogou amarelinha com ele durante muito tempo, mas hoje se encontra com um machado na mão, doido para cortar a sua cabeça e fundar um novo processo político no Espírito Santo. 

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