Secretário de Saúde: servidores destacam perfil técnico, mas alertam para OSs

Outro ponto positivo sobre Nésio Medeiros citado pelo Sindisaúde é sua ligação com o SUS

Apesar de desconhecido no Estado, militantes da área da saúde receberam de maneira positiva o anúncio do novo secretário Nésio Fernandes de Medeiros Júnior, de apenas 36 anos e ex-secretário de Palmas (TO), feito pelo governador eleito Renato Casagrande (PSB) na manhã desta sexta-feira (21). Consideram, para isso, o fato dele ser médico e experiente no setor, no entanto, há reservas sobre como será a continuidade do processo de terceirização dos hospitais estaduais. 

“Nesta semana mesmo, enviamos um ofício para a equipe de transição do novo governador Renato Casagrande argumentando e pedindo que o secretário fosse alguém da área da saúde, um técnico da área, para não acontecer o que aconteceu com o Ricardo de Oliveira, que é apenas um gestor, mas não é da área”, disse a secretária de Condições de Trabalho do Sindicato dos Servidores da Saúde no Espírito Santo (Sindsaúde-ES), Cynara Azevedo, que completou: “Não o conhecemos direito, mas sabemos que o novo secretário é ligado ao SUS [Sistema Único de Saúde]. Estamos esperançosos, mas, de qualquer forma, seguimos com nosso pensamento de que a terceirização da saúde não é o que o SUS precisa. O que o SUS precisa é que se acabe com seu subfinanciamento e sucateamento”. 

O novo secretário não chegou a fazer pronunciamento para anunciar seus projetos para a área, mas o próprio governador adiantou alguns pontos gerais, dizendo que manterá as parcerias que estão em curso, tanto com hospitais filantrópicos, cooperativas médicas e também com as Organizações Sociais, que, atualmente, fazem a gestão de quatro unidades estaduais: o Hospital Central (Centro de Vitória), Jayme Santos Neves (Serra), Hospital Estadual de Urgência e Emergência (antigo São Lucas) e o Infantil de Vila Velha. 

Casagrande também não comentou se dará continuidade ao processo de terceirização de mais seis hospitais que estavam na mira de terem a gestão repassada para as OSs pelo governo Paulo Hartung. Dois deles, inclusive, o Silvio Avidos, em Colatina, e o Antonio Bezerra de Faria, em Vila Velha, chegaram a ter os editais para terceirização publicados no Diário Oficial, mas a tramitação foi cancelada para decisão do novo governo. Os quatro eram: Dr. Alceu Melgaço Filho, em Barra de São Francisco; Roberto Arnizaut Silvares, em São Mateus; Dório Silva, na Serra; e Infantil, de Vitória. 

Para o diretor de Comunicação do Sindsaúde-ES, Valdecir Gomes Nascimento, espera-se que o processo de terceirização seja interrompido e que, além disso, haja uma regulação e fiscalização mais efetivas das unidades que são geridas atualmente pelas OSs, com retirada, inclusive, das empresas que respondem processos em outros estados por desvios de verbas públicas, como a empresa Pró-Saúde e a IGH, que fazem a gerência respectivamente do HEUE e do Infantil de Vila Velha. “Queremos o fim dessa máquina de dinheiro público jogado no ralo. Temos que rever a situação dessas empresas processadas e denunciadas em outros estados e que estão enfiadas em nossos hospitais”.

Valdecir citou ainda que o novo secretário tem a árdua missão de melhorar a avaliação da pasta entre os cidadãos capixabas, uma vez que 68% acham a saúde pública estadual ruim e péssima. “É uma área que precisa de mais investimentos. Também precisamos de concurso públicos, pois os servidores estão envelhecendo e se aposentando. Tem que ter uma virada”, completou Valdecir.   
 
Currículo

Nésio Fernandes foi contratado pela equipe de transição de Casagrande para realizar um diagnóstico na saúde estadual. Segundo o novo governador, a partir disso, a ideia foi aproveitá-lo na nova gestão. O novo secretário de Estado da saúde possui graduação em Medicina pela Escola Latino-americana de Medicina (2012), em Cuba, revalidado no Brasil pela Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG (2015). 

Foi Presidente da Fundação Escola de Saúde Pública de Palmas, médico da Estratégia da Saúde da Família, clínico-geral no Hospital Regional de Paraíso e Secretário Municipal da Saúde de Palmas. Também tem experiência na área de Saúde Coletiva, com ênfase em Saúde Pública. 

Comente Aqui
Confirme seu comentário no e-mail em até 48 horas para mantê-lo ativo.
Atenção caros leitores, comentários com link não serão mais aceitos. Evite ser bloqueado.
1 Comentários
  • Aladir Oliveira , terça, 01 de janeiro de 2019

    Saúde precisa ser bem observada, inclusive renovar as direções dos hospitais dando oportunidade para que profissionais de carreira possam demonstrar suas potencialidades e acabar com a mesmice das mesmas pessoas circulando nos cargos de chefia de pelos hospitais da rede. Sugiro que as gerências de unidades trabalho sejam exercidas por profissionais de carreira, devem reduzir esses cargos comissionados pois se tornam verdadeiros tiranos para assegurar a manutenção do cargo em comissão oprimindo o servidor. Comento com conhecimento de causa pois militei na saúde por mais de 30 anos e presenciei muita coisa. Outra coisa importante é o TC do Estado trabalhar junto com o TCU em canal direto. Existir reciclagem permanente de seu quadro de RH.

Matérias Relacionadas

'O Espírito Santo precisa dar voz às pessoas'

Governador Renato Casagrande fala de reabertura de diálogo fechado por Hartung e de projetos futuros

'O Espírito Santo precisa dar voz às pessoas'

Governador Renato Casagrande fala de reabertura de diálogo fechado por Hartung e de projetos futuros

Governo cria mecanismo para diversificar aplicação de dinheiro do petróleo

Com o Fundo Soberano, Casagrande pretende viabilizar investimentos em área vitais para a economia

Após protestos, diretora geral do Hospital Antonio Bezerra de Faria é exonerada

Neio Lúcio Fraga Pereira, médico da família gaúcho, assume no lugar de Regina Rua