Sedu anuncia reabertura da Escola Menino Jesus, em Muniz Freire

Foi a segunda unidade da zona rural reaberta pelo atual secretário de Educação, Vitor de Angelo

A Secretaria de Estado da Educação (Sedu) anunciou, nessa quarta-feira (6), a reabertura da Escola Menino Jesus, na zona rural de Muniz Freire, região do Caparaó. A unidade havia sido fechada, na gestão do ex-governador Paulo Hartung e os estudantes transferidos para a Escola Viva, localizada na sede do município e a 20 quilômetros de distância da localidade, gerando protestos da comunidade. 

O anúncio foi feito pelo secretário de Estado da educação, Vitor de Angelo, que na semana passada já havia reaberto a escola da localidade de Mata Fria, em Afonso Cláudio (região serrana), também fechada na gestão de Hartung em função do mesmo projeto, vitrine de seu mandato. O resultado, nos últimos anos, foi o aumento da evasão escolar, pois muitos alunos não tinham como se deslocar por quilômetros em estradas de chão. 

Segundo informações da Sedu, a escola voltará a funcionar com a oferta de 120 vagas para as 1ª, 2ª e 3ª séries do Ensino Médio. O período para solicitação de pré-matrícula, por sua vez, inicia-se na próxima segunda-feira (11) e segue até o dia 18. Já o resultado está previsto para até 22 de fevereiro e o responsável ou o próprio estudante, quando maior de idade, deve comparecer à escola para efetivar a matrícula até o dia 1º de março.

Protestos

No início de 2018, Século Diário acompanhou a luta da comunidade para reabertura da Escola Menino Jesus, de Muniz Freire. Em março, já depois do início do ano letivo, estudantes e familiares prejudicados pela medida foram à Superintendência Regional de Educação (SER) de Guaçuí para pedir a reabertura da unidade.

Na ocasião, cerca de 80 pessoas ocuparam o prédio da SER e formaram uma comissão para discutir a reabertura com os gestores da Sedu, mas receberam apenas a promessa de uma visita. 

Essa não é a primeira vez que a escola da localidade de Muniz Freire é reaberta. Ela havia sido fechada em 2015, quando a comunidade acionou o Ministério Público Estadual, que, por sua vez, ingressou com uma ação civil pública. Ao julgar a ação, o juiz Marcos Antônio Barbosa de Souza concedeu liminar exigindo o funcionamento das escolas em 2016 e 2017. 

No final de 2017, no entanto, o governo estadual recorreu da sentença e conseguiu suspender a liminar no Tribunal de Justiça (TJES), por meio da decisão do desembargador Dair José Bregunce de Oliveira, o que resultou novamente no fechamento da unidade. 

Mata Fria 

Já em Mata Fria, localidade de Afonso Cláudio, a comunidade lutou por três anos para que o ensino médio noturno na Escola Estadual de Ensino Médio (EEEM) fosse reaberto. 

Tão logo foi informada do fechamento do ensino médio noturno na Mata Fria, a comunidade também procurou o Ministério Público. Hilde Helene Christiansen Jordão, mãe de aluna, e residente no Córrego Francisco Corrêa, Mata Fria, de dirigiu à Promotoria do MPES de Afonso Cláudio. A denúncia é datada de 2 de dezembro de 2015.

Decisões em caráter liminar chegaram a ser concedidas em favor da comunidade para que a escola fosse reaberta, porém, não foram cumpridas pela Sedu. O argumento utilizado pelos promotores e pela própria comunidade é legislação federal que obriga que o poder público oferte vagas próximas às residências dos alunos.
 
Com o apoio de estudantes do ensino médio da Grande Vitória, em 2018, os moradores de Afonso Cláudio fizeram protesto na Capital enquanto seus representantes discutiam com a Sedu. Cerca de 200 pessoas pararam o trânsito em frente à secretaria, alternando o fechamento das pistas.
O objetivo do grupo era simplesmente informar aos moradores da Grande Vitória sobre a arbitrariedade da Sedu em fechar o ensino noturno das comunidades do interior.

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2 Comentários
  • Juan Carlos Galante , quinta, 07 de fevereiro de 2019

    Parabéns PARCIALMENTE! Obrigado pela reabertura das escolas rurais! PORÉM É PRECISO RETORNAR COM O ENSINO MÉDIO NOTURNO NAS CIDADES. Muito bonita a iniciativa, contudo mais de 80% da população capixaba reside em zonas urbanas, quase a metade dela na Grande Vitória. QUASE TODAS as escolas públicas, dentre elas algumas tradicionais como a Estadual, a Afonso Schwab e a Maria de Lourdes Poyares Labuto, fecharam as portas do turno noturno para os jovens que precisam trabalhar e estudar por ordem da gestão anterior. Conversem com o Deputado Majeski que ele possui esses dados. Cerca de 20% da juventude está fora da escola. Os trabalhadores buscam o ensino médio noturno, mas a SEDU DIZ NÃO e os empurra para a EJA-Educação de Jovens e Adultos, um curso voltado para pessoas que não puderam estudar na idade certa e que também foi solapado. Teve a sua carga horária presencial reduzida a metade. PORTANTO, SR. Secretário: REABRA TAMBÉM O ENSINO MÉDIO NOTURNO NAS CIDADES, pois que MUITA FALTA FAZ aos capixabas e as pessoas que migraram para cá. Aliás, Secretário, RETORNE TAMBÉM com as aulas da EJA surrupiadas pelo governo anterior. Vamos parar de fazer marketing com Mata Fria e Menino Jesus, ainda que sejam ótimas iniciativas, MAS NÓS PRECISAMOS MESMO É DO RETORNO DO ENSINO MÉDIO NOTURNO URBANO nos lugares onde o povo vive em sua imensa maioria. Aí sim, a sociedade saberá que o Senhor Secretário chegou prá valer, chegou prá reparar o descaso com a educação e devolver direito arrancado do povo de trabalhar e estudar numa escola pública noturna. Aí sim voltarei a ter esperança no futuro do Espírito Santo. Por isso, "Volta Casão", "Volta com o ensino médio noturno nas cidades".

  • Leonara Margotto Tartaglia , sexta, 08 de fevereiro de 2019

    Parabéns, Secretário! Educação é investimento, não é gasto!

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