Segundo ato contra cortes de Bolsonaro leva multidão às ruas de Vitória

Manifestantes saíram da Ufes e do Ifes no final da tarde desta quinta-feira e se encontraram na Sedu

O segundo protesto contra os cortes na educação pública federal anunciados pelo governo Bolsonaro voltou a reunir uma multidão nas ruas de Vitória nesta quinta-feira (30). Estudantes, professores, servidores técnico-administrativos da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e do Instituto Federal capixaba (Ifes), além de integrantes de movimentos sociais da cidade e do campo, trabalhadores e simpatizantes da causa saíram em passeata do campus de Goiabeiras e da sede do Ifes, em Jucutuquara, com destino à Secretaria de Estado da Educação (Sedu), na Praia do Suá. 


Foto: Leonardo Sá

Estimativas dão conta de que 5 mil pessoas participaram da manifestação na capital capixaba, e, segundo informações extraoficiais, outros atos foram registrados em pelo menos 136 cidades de 25 estados e do Distrito Federal.

Tendo à frente a União Nacional dos Estudantes (UNE), a manifestação 30M contou com apoio do movimento estudantil capixaba em todos os níveis e esferas (como a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas - UBES), além dos diretórios e grêmios estudantis das instituições de ensino. E, ainda, sindicatos da área da educação e de servidores da Ufes e do Ifes, como Sindiupes (professores da educação pública estadual e municipais), Sintufes (servidores da Ufes), Sinasefe (servidores do Ifes) e Adufes (docentes da Ufes). 

O novo ato também foi considerado um "esquenta" para a Greve Geral contra a reforma da Previdência, que ocorrerá no dia 14 de junho. 


Foto: Leonardo Sá

Com saída do campus de Goiabeiras por volta das 17h30, os manifestantes munidos de cartazes e gritos de guerra formaram um "mar de insatisfeitos" com as medidas do governo Bolsonaro, tomando as avenidas da Capital. Eles seguiram da Avenida Fernando Ferrari para a Reta da Penha, onde houve uma pequena parada em frente à sede da Petrobras. Na ocasião, um representantes do Sindicato dos Petroleiros (Sindipetro) realizou uma fala em defesa do pré-sal e de uma nova política de preços para os combustíveis que deixe de apenas beneficiar acionistas e empresas estrangeiras.


Foto: Leonardo Sá

Em seguida, os manifestantes rumaram para a avenida Rio Branco, seguindo depois pela Leitão da Silva até a César Hilal, onde fica a sede da Sedu. No local, se encontraram com a passeata que saiu do Ifes. 

Um grupo de sete alunos da Escola Viva, da rede estadual, do bairro Planalto Serrano na Serra, fez questão de participar do protesto. Apesar de os cortes estarem direcionado mais fortemente ao ensino federal, Amanda Rodrigues Martins, de 16 anos, aluna do terceiro ano, explicou que a educação é um direitos de todos e se a sociedade permanecer inerte todos serão prejudicados, principalmente os que desejam ingressar na universidade pública.


Foto: Leonardo Sá

Já a professora aposentada da Ufes, Vanda Valadão, ressaltou que os atos do governo Bolsonaro são uma tentativa de mordaça. “Fui forjada na luta, pois minha geração estava na universidade nos anos 70. Vemos um novo tipo de repressão e de ameaça à autonomia universitária feita por decretos e assinada com caneta bic”.  


Foto: Leonardo Sá

Programação

Na Ufes, a movimentação para o 30M começou cedo, com panfletagem realizada no portão central da universidade por volta das 6h30. Em seguida, "Os desafios para a área de Letras no Brasil atual" foi tema de aula pública  realizada, a partir das 8 horas, na escadaria do Teatro Universitário, organizada por docentes e estudantes das áreas de Linguística, Literatura e Línguas Estrangeiras do Departamento de Línguas e Letras da Universidade. Das 8 às 11 horas, também foi realizada a Mesa Redonda “A Superexploração da Força de Trabalho no Brasil Contemporâneo”, no Edifício Didático.

Já o Movimento Mulheres em Luta ES (MML-ES) e o Centro Acadêmico Livre de Serviço Social (CALSS) estiveram à frente de uma roda de conversa sobre a reforma da Previdência, às 15h30, também em frente ao Teatro Universitário. 

Foto: Leonardo Sá

Na universidade, professores, servidores e estudantes da Ufes decidiram paralisar suas atividades em assembleias realizadas respectivamente por seus sindicatos de classe e pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE).

Nessa quarta-feira (29), um ato simbólico e em conjunto foi realizado em solidariedade à Universidade Federal do Paraná, onde um grupo que participou das manifestações pró-bolsonaro no último domingo (26) arrancou, em apoio ao presidente, uma faixa colocada em frente à sede da reitoria com o dizer: “Em Defesa da Educação”. As federais do País afixaram em seus campi, simultaneamente, faixas com o mesmo dizer. Na Ufes, o local escolhido foi o Teatro Universitário. 


Foto: Leonardo Sá

O reitor da Ufes, Reinaldo Centoducante, chegou a anunciar que a universidade perdeu R$ 20 milhões, valor que já não consta no sistema de receita. Já o Ifes informou que só tem verbas para funcionar até setembro deste ano.

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1 Comentários
  • machado , sexta, 31 de maio de 2019

    KKK!!! Multidão!? 5000!? Pedindo lula livre, fracassou com louvou porque o lula continua preso babaca! Estudante de instituição federal é financiado pelo impostos do pobre povo brasileiro, deveria ter vergonha na cara e ESTUDAR.

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