Sem fim

Números da escolta destinada a Marcos Do Val remetem aos casos registrados há anos no Estado

Os recentes números sobre a escolta destinada ao senador Marcos Do Val (PPS) divulgados pela revista Veja, após registro de ameaças recebidas por email, inevitavelmente, remetem à questão das autoridades que contam com forte aparato de seguranças no Espírito Santo e que é alvo de polêmica não só pelo quantitativo como longo período da concessão do benefício. Os casos mais emblemáticos, como se sabe, são do ex-prefeito de Vila Velha Rodney Miranda (PRB) e do juiz Carlos Eduardo Ribeiro Lemos, ambos com escolta desde 2003, em decorrência do crime do juiz Alexandre Martins. Em relação ao senador, novato na política e que se gaba de ser instrutor da Swat e especialista em Segurança Pública, o fato que resultou na escolta é deste mês e teria, segundo ele, ligações com o PCC e sua relatoria em um dos projetos do pacote anticrime do ministro da Justiça, Sergio Moro. Embora o aponte como “o homem mais protegido do Senado”, a Veja deu dados mais modestos em relação aos protegidos por aqui: são oito policiais, cinco para Do Val e três para sua irmã, também ameaçada e que, por isso, inclusive deixou o Estado. Já no último debate sobre a escolta de autoridades no governo Paulo Hartung, que causou muito burburinho na Assembleia Legislativa, foi confirmada a frota que atende aos dois personagens lá de cima. Rodney teria à sua disposição 14 policiais e o juiz Carlos Eduardo 20, com carro, gasolina, etc. e tal, tudo pago com dinheiro público. Comparando as histórias, “a tropa” e a data (um agora, o outro há 16 anos), vem a mesma pergunta de todos esses anos: precisa disso tudo, mesmo, para Rodney e o juiz? É vitalício ainda? Essas informações, até hoje, continuam em aberto.

Coleção
Sobre Marcos Do Val, a Veja lembra que ele é dono de 14 fuzis nos Estados Unidos e carrega uma pistola automática no Brasil. O texto acompanha uma foto do senador tipo abraçando os fuzis. O próprio Do Val replicou a matéria da revista em suas redes sociais. Ele adora repercutir essas coisas. 

Coleção II
A publicação, aliás, já tem 503 comentários e 624 compartilhamentos no Facebook. Uns de apoio ao mandato e à segurança, outros de críticas e questionamentos: você não é o “cara da Swat”?

Temporada 
E Rodney, hein? Passou a conta de alguns seguranças para o governo de Goiás, onde assumiu como secretário no início deste ano? A família continua com os daqui? Ele tem planos de voltar logo, na disputa de 2020 à prefeitura de Vila Velha, como já declarou publicamente. 

Tudo igual
A questão das escoltas virou centro de calorosos debates na Assembleia no final de 2016, quando mexeram com os cinco policiais que atuavam no órgão. Isso resultou num projeto de lei determinado o retorno ao policiamento ostensivo de todos os PMs cedidos a órgãos e poderes do Estado, incluindo os que fazem escolta de autoridades. Mas, no final das contas, até segunda ordem, não houve mudanças nessa última parte.

Segue...
O próprio Hartung, inclusive, anunciou em dezembro do ano passado que pediria a segurança destinada a ex-governadores. Ele disse ter tomado a decisão após o assassinato do também ex-governador Gerson Camata. Já Casagrande tinha e abriu mão.

Reações
Por falar no governador, ele rebateu, em forma de propaganda, a frase abominável do presidente Jair Bolsonaro sobre turismo e mulheres, e o deputado estadual Sergio Majeski (PSB) a proibição da veiculação da propaganda do Banco do Brasil, outra medida absurda. Estão certíssimos. 

Reações II
A propaganda do governo diz assim: “Aqui no ES não é não. Diga você também não à exploração sexual”. Foi menos direta que outros estados, mas valeu de todo jeito. Já Majeski publicou o vídeo da propaganda com o texto: “Bom dia !!!! Viva a diversidade, a criatividade, a liberdade e a democracia ! Abaixo a censura e o preconceito!!!”.

Forcinha
Ainda sobre Casagrande, ele voltou a Nova Venécia (noroeste do Estado) nesse final de semana para assinatura de ordem de serviço. O município é  administrado pelo correligionário Lubiana Barrigueira, que está mal das pernas com seu eleitorado. A visita do governador foi exatamente nos distritos-problema: Guararema e Cedrolândia.

Prévia agitada
Desde o ano passado, as movimentações internas para a disputa do MDB indicavam um clima acirrado. Nos últimos dias se intensificaram, tanto que o deputado estadual José Esmeraldo chegou a denunciar fraudes na briga pelo diretório de Vitória. Logo veio a impugnação de sua chapa. Os próximos capítulos prometem!

PENSAMENTO:
“Não é permitido irritarmo-nos com a verdade”. Platão

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