Servidores da Saúde cobram do governo do Estado solução para o Himaba

Após quatro meses da nova gestão de Renato Casagrande, categoria quer solução para unidade

Após quatro meses da nova gestão do governador Renato Casagrande e de seu secretário de Saúde, Nésio Fernandes, representantes do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde no Estado (Sindsaúde-ES) voltaram a cobrar uma solução imediata para o caos que se encontra o Hospital Infantil de Vila Velha (Himaba). A unidade sofre com superlotação e uma série problemas estruturais e de gestão.

“Entendemos que a situação requer tempo, mas a população e as crianças que dependem do Himaba não podem mais suportar tantos problemas. As péssimas condições de trabalho resultam em um atendimento inadequado. Nós não merecemos isso”, denunciou a presidente do Sindsaúde-ES, Geiza Pinheiro.

A liderança sindical faz um breve resgate histórico dos problemas do hospital. “Desde setembro de 2017 - quando o Himaba foi entregue ao Instituto de Gestão e Humanização (IGH) - o número de mortes de crianças aumentou. Os dados são alarmantes. Tivemos acesso à cópia de parte de um relatório, mas até hoje o livro de óbito não apareceu e a situação não foi esclarecida”, relembra Geiza.

Geiza Pinheiro se refere a um relatório com dados oficiais da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), divulgado por Século Diário em maio de 2018, indicando que, no período de seis de outubro até 22 de dezembro de 2017, quase 30 recém-nascidos morreram na Unidade de Terapia Intensiva (Utin) do Himaba. De acordo com a Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID), indicado por próprios trabalhadores da unidade no relatório, boa parte por infecção, o que levou a quadros de septicemia. Mas não apenas isso. 
 
Antigos e atuais trabalhadores, incluindo médicos que atuaram na Utin, e o Sindsaúde-ES elencaram outros fatores, como a iatrogenia (aplicação equivocada de remédios) e também a não administração devida dos medicamentos, além de descuidos com diversos protocolos, incluindo os de higienização. Para eles, houve negligência da Organização Social (OS) Instituto de Gestão e Humanização. 

Também foram registradas outras denúncias contra a OS, como casos de descumprimento de leis trabalhistas, com a imposição de jornadas de trabalho exaustivas; superlotação, com pacientes jogados nos corredores; falta de transparência em relação ao número de óbitos em toda unidade; impossibilidade de agendamento de consultas; falta de pagamento provocando a paralisação dos médicos da unidade de ortopedia e redução do número de técnicos em imobilização.

Além disso; trabalhadores da Utin Neonatal do Heimaba já tiveram que espalhar baldes nos corredores e em cima dos móveis para evitar que o local ficasse alagado em dias de chuva (abril de 2018); também foram identificadas paredes mofadas, colocando em risco a saúde dos pacientes; e falta de pagamento aos fornecedores.

“Exigimos uma solução definitiva. O povo não aguenta mais medidas paliativas em relação a um problema tão sério”, conclui Geiza.

Reunião com Casagrande 

Na última quinta-feira (2), Geiza Pinheiro e o coordenador da Regional Norte 2 do sindicato, José Reinaldo, foram recebidos pela chefe de gabinete do Governo, oportunidade em que solicitaram o agendamento de uma reunião com Casagrande para tratar especificamente da pauta de reivindicações da categoria.

“Prometeram um retorno desta nossa solicitação de agenda com o governador até o final de maio. Nossa luta é pela valorização dos servidores estaduais, que dedicam grande parte de suas vidas para a melhoria da saúde pública. Além de valorização salarial, merecemos também condições dignas de trabalho”, disse Geiza.

O mesmo documento com as reivindicações legítimas que compõem a campanha salarial 2019 do Sindsaúde-ES foi entregue ao subsecretário Fernando Rocha, da Secretaria de Estado de Gestão e Recursos Humanos (Seger), no dia 15 de abril.

“Reposição das perdas salariais, data base, equiparação salarial entre auxiliares e técnicos, cumprimento da lei do subsídio [nº 639/2014], do decreto da insalubridade e revisão da lei de Promoção dos servidores da saúde estão entre as nossas principais reivindicações. Nossa luta é para que a população capixaba tenha acesso a serviços de saúde de qualidade, para que o atendimento seja adequado”, concluiu a liderança sindical.

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