Servidores do Iema protestam contra sucateamento da autarquia

Movimento será realizado nesta quarta-feira, depois de deliberação em reunião com os servidores

Nesta quarta-feira (20), servidores do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) vão realizar um protesto para denunciar a situação precária de funcionamento da autarquia, que tem como função primordial cuidar do meio ambiente e dos recursos naturais do Estado. Na semana passada, o andar de um dos prédios ocupados pelo Instituto, em Cariacica, precisou ser interditado devido ao risco de desabamento do teto.

Diante da situação, os servidores deliberaram em reunião, realizada na última quinta-feira (14), por realizar um protesto no próximo dia 20, pedindo providências urgentes do Governo do Estado para fortalecer o Iema, garantindo condições de trabalho e valorização profissional no principal órgão de defesa e fiscalização do meio ambiente.

A falta de infraestrutura é visível em diversos setores da autarquia, com prédios apresentando inúmeras rachaduras, falhas elétricas e hidráulicas, ausência de acessibilidade e inexistência de rotas de fuga. Os problemas colocam em risco a vida dos funcionários que ali atuam, bem como dos cidadãos que buscam os serviços da autarquia no local.

Além do sucateamento, os servidores reforçaram a falta de mão de obra, salários defasados e a necessidade de reestruturação física e organizacional da autarquia, ligada à Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Seama).

Os servidores se mostraram preocupados também com a indicação de um ex-executivo da Vale para presidência do Instituto, o que pode causar possíveis ingerências política e empresarial, já ocorrida em gestões anteriores. Alaimar Fiuza foi funcionário da mineradora por 30 anos, tendo ocupado diversas gerências.

Durante a assembleia, o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos do Estado (Sindipúblicos), Tadeu Guerzet, destacou que a falta de condições de trabalho já foi denunciada ao Ministério Público do Trabalho (MPT) e que o Sindicato irá reforçar a denúncia diante ao agravamento do caso. Também encaminhará denúncias aos demais órgãos competentes, no intuito de garantir as condições de trabalho aos servidores e para que esses possam atender com eficiência as demandas da sociedade.

Em agosto de 2018, a Associação dos Servidores do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Assiema), por meio de uma carta aberta a todos os capixabas, denunciou que o órgão ambiental estadual estava “em coma induzido” e pedia a ajuda da população para que enviassem denúncias à Ouvidoria do Instituto.
 
A Assiema lembrou que o sucateamento progressivo da autarquia teve início há dez anos, sendo intensificado a partir de 2014, atingindo seu momento mais crítico em 2017, quando a própria Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Seama) tentou, formalmente, sua extinção e transformação em duas subsecretarias.

Há dez anos, relatou a Carta, não é realizado concurso público, havendo vacância de 137 vagas. Os servidores em atividade, por sua vez, estão sem capacitação adequada e continuada e sem ferramentas de trabalho. Sequer motoristas profissionais foram contratados e não há mais contrato de veículos, praticamente inviabilizando que o trabalho de campo seja feito a contento, como demanda um órgão ambiental de abrangência estadual.

Nesse período, houve ainda “desmantelamento e/ou extinção de setores importantes do Iema”, como o setor jurídico, o laboratório, a coordenação de qualidade do ar, a gerência de qualidade ambiental, a geomática e a biblioteca, esta, recentemente fechada para público externo, por suas dependências estão sendo usadas precariamente por outro setor.

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