Sesa estrutura plano de enfrentamento do coronavírus no Estado

Minas Gerais registrou o primeiro caso suspeito do Brasil. Na China, já são mais de quatro mil infectados

A Secretaria de Estado da Saúde do Espírito Santo (Sesa) está estruturando um Plano Estadual de Enfrentamento e Controle do novo coronavírus, que será analisado em reunião, na próxima quinta-feira (30) em conjunto com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Na ocasião, serão elencadas as diretrizes relacionadas à doença e, assim, estabelecidas ações imediatas de prevenção e também de controle no Estado.

A elaboração do Plano teve início nesta terça-feira (28), após o Ministério da Saúde enviar, às vigilâncias municipais, informações referentes à identificação de sintomas desencadeados pelo novo coronavírus. No Espírito Santo, segundo a Sesa, toda a rede de saúde já está com servidores orientados e instruídos a notificar a Secretaria de Estado em caso suspeito.

O Estado ainda não registrou nenhum caso suspeito, mas uma suspeita da doença foi confirmada nesta terça-feira (28) em Minas Gerais, a primeira do país. De acordo com o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, trata-se de uma estudante de 22 anos que esteve na China. A jovem está internada em Belo Horizonte, em observação. 

"O que muda é o grau de vigilância nessa fase. Aumenta a nossa vigilância de portos e aeroportos, triagem de pacientes, o uso de determinado equipamentos de proteção, mas o nosso foco principal nesta fase é a vigilância”, disse Mandetta, em entrevista coletiva para falar sobre as medidas tomadas pelo governo para evitar a entrada do vírus no país.

“Nessa fase a gente tem um olhar com muito mais atenção para dentro do país, para identificar se o vírus está circulando em território nacional, e outro [olhar] muito presente em informações técnicas e científicas a respeito do comportamento do vírus”, disse Mandetta.

Quatro mil infectados

Na China, segundo reportagem da emissora pública de televisão japonesa NHK, replicada pela Agência Brasil, o número de mortes causadas pela nova variante do coronavírus chegou a 106 depois que autoridades da província de Hubei anunciaram 24 mortes na manhã desta terça-feira (28). Autoridades de saúde da China afirmam que mais de quatro mil pessoas foram infectadas.

O premiê chinês Li Keqiang visitou Wuhan, foco do surto, para demonstrar a seriedade com que Pequim está considerando o problema. Li visitou pacientes e profissionais da área médica que estão atuando na linha de frente de combate à doença.

As autoridades de saúde da China afirmam que as pessoas que visitaram Wuhan e outras áreas afetadas serão monitoradas por um período de duas semanas. He Qinghua, funcionário da Comissão Nacional de Saúde, avisou que "qualquer pessoa que tenha sido infectada será imediatamente encaminhada para um hospital e mantida sob quarentena".

O prefeito de Wuhan, Zhou Xianwang, admitiu que a cidade não forneceu informações sobre a nova variante do coronavírus em tempo hábil. Zhou atribuiu o atraso ao fato de que o governo local tinha a obrigação de conseguir uma autorização antes de divulgar informações.

Até o momento, cerca de 65 casos foram notificados em 17 países e territórios em todo o mundo.

A China está intensificando as medidas para conter o vírus. O feriado prolongado do Ano-Novo Lunar foi estendido até 2 de fevereiro. O surto também está afetando a economia chinesa. As autoridades em Shanghai pedem que estabelecimentos comerciais na cidade permaneçam fechados até o dia 9 de fevereiro.
Diversas escolas e creches na China decidiram adiar a volta às aulas.

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, está em Pequim. Ele deve se reunir com autoridades chinesas para discutir a melhor forma de combater o surto.

Impacto internacional

O governo chinês diz que o número de pessoas que usam o transporte público em todo o país caiu cerca de 30% por cento no sábado (25), o primeiro dia do Ano-Novo Lunar – em comparação com o mesmo período no ano passado.

Outros países também estão sentindo os efeitos. A China proibiu viagens em grupo para o exterior, incluindo o Japão.

O ministro da Revitalização Econômica do Japão, Yasutoshi Nishimura, disse que os chineses representam cerca de 30% do total de turistas estrangeiros no Japão. "E não é apenas isso, a produção e o consumo chinês podem ser prejudicados caso a situação se prolongue. Há preocupação de que isso poderia afetar a produção e as exportações japonesas, bem como os lucros corporativos."

Nishimura também lembrou os riscos sobre a volatilidade do câmbio e do mercado de ações, e acrescentou que vai monitorar de perto as movimentações financeiras.

A Bolsa de Valores de Xangai, por exemplo, retomaria suas atividades na sexta-feira (31), mas, até o momento, a informação é de que não voltará a operar até a próxima segunda-feira (3).
 

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