Sinais de Casagrande

O prefeito Luciano Rezende espera ancorar sua administração em ações do governo do Estado

Depois de amargar quatro anos de isolamento político imposto pelo então governador Paulo Hartung, resultando em um mandato esvaziado e sem entrega de obras essenciais à população, o prefeito de Vitória, Luciano Rezende (PPS), viu o sol brilhar na última segunda-feira (7).

Ele foi recebido com honras pelo governador Renato Casagrande (PSB), no palácio Anchieta, ambiente no qual ele não pisava há muito tempo.Em que pesem na balança os elogios recíprocos, os frutos do encontro em termos políticos administrativos ficaram resumidos ao retorno para Vitória do desfile cívico militar das comemorações de 7 de Setembro e citações relacionadas a obras inacabadas.

Em destaque, o término das obras da Avenida Leitão da Silva, uma das várias frentes de trabalho nas quais Luciano nutria a esperança de ancorar seu mandato. Esse era o objetivo dele desde quando foi eleito prefeito de Vitória: pegar carona em ações do governo do Estado, que lhe daria maior visibilidade, já que seu brilho como gestor público não permite que vá além de ciclovias incompletas e bicicletas de aluguel. Basta uma rápida olhada na quantidade de projetos anunciados que nunca saíram do papel.

Do lado do governador, ele puxa para si os cordéis do comando, sinalizado nesse primeiro sinal com o prefeito da capital, mas ampliando seu leque nas conversas que mantém quase que diariamente com deputados eleitos e reeleitos, nos círculos de poder em Brasília.

Com Luciano, foram superados os ruídos decorrentes da recusa em aceitar a indicação de Lenise Loureiro como vice, lugar que foi ocupado por Jacqueline Moraes (PSB). Assim, Casagrande vislumbra agora, ainda que de longe, a sucessão da capital em 2020. Novamente, no entanto, mantendo-se à parte do candidato do prefeito, o vereador e deputado estadual eleito Fabrício Gandini (PPS), até mesmo porque muitas barreiras terão que ser superadas.

Uma delas, o deputado estadual eleito Sérgio Majeski, do PSB, mesmo partido do governador, o mais votado do Estado, com mais de 40 mil votos. Majeski derrotou Gandini em seu bairro, Jardim Camburi, obtendo mais de cinco mil votos e, embora não se coloque publicamente como postulante ao cargo, é sinalizado nos meios políticos com densidade eleitoral capaz de adversários de peso, principalmente em decorrência de sua atuação na Assembleia Legislativa.

O mercado político aponta Majeski como provável candidato a prefeito de Vitória, com possibilidade de encarar um nome do PSL do presidente Jair Bolsonaro, que pode ser Soraya Manato, mulher do coordenador do partido no Estado, Carlos Manato, e eleita para a Câmara Federal.

Os sinais de Casagrande são bastante precisos e alcançam de forma diferenciada lideranças que representem valor agregado, como pôde ser visto durante a campanha eleitoral. O governador sabe, como político habilidoso que é, quem realmente contribuiu para a sua vitória nas urnas por sua densidade eleitoral. Esses terão lugar em parcerias mais duradouras.
 

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