Sindicato dos Jornalistas do Espírito Santo comemora 40 anos

Suzana Tatagiba, primeira mulher eleita, ressalta que entidade participou da redemocratização do País

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Espírito Sindicato (Sindijornalistas) completou 40 anos. Contudo, sua história tem início há mais tempo. É que antes da entidade ser criada surgiu, em 1954, a Associação dos Jornalistas Profissionais do Espírito Santo, presidida por Vitor Costa e fruto da organização de um grupo de jornalistas que tinham como objetivo se mobilizar por melhores condições de trabalho. Afinal, dois anos antes havia sido criada a Folha do Povo, que significou uma renovação na imprensa local. 

Entre as ações de destaque dessa associação estavam a participação na criação da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), a inclusão do repórter fotográfico na função de jornalista e a luta para a inclusão da profissão na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Foi devido à atuação da associação que foi criado o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Espírito Santo. 

A carta de consolidação da entidade foi entregue em 24 de setembro de 1979 das mãos do então ministro do Trabalho, Murilo Macedo. Um dia depois a primeira diretoria tomou posse, com o jornalista e fundador de Século Diário, Rogério Medeiros, na presidência. 

A década de 80 foi de muita efervescência para a entidade. O jornal A Tribuna fechou em março de 1983, depois de uma greve por melhores salários e condições de trabalho na qual os jornalistas Chico Flores e Romero Mendonça fizeram greve de fome. O jornal voltou a circular na gestão do então presidente do Sindijornalistas, Sérgio Egito.

A primeira mulher eleita a chegar à presidência da entidade, Suzana Tatagiba, destaca que na década de 80 o Sindijornalistas contribuiu de maneira efetiva em diversas lutas. “Atuamos pela redemocratização do País, em defesa das Diretas Já, pela Constituição de 1988, inclusive para inserir o capítulo sobre a comunicação na Constituição”, diz. Ela salienta, ainda, que o sindicato foi pioneiro no Brasil ao alcançar algumas conquistas para a categoria. “Fomos o primeiro a ter piso salarial firmado em acordo coletivo”, recorda. 

Renovação

A diretora de Imprensa e Comunicação do Sindijornalistas, Fernanda Coutinho, destaca a importância dos jornalistas mais novos atuarem na entidade. “Me aproximei do sindicato em um momento em que a empresa onde eu trabalhava atrasava pagamento de salário. Comecei a acompanhar a atuação do sindicato, ver de que forma poderia contribuir, percebi que poderia aprender com as pessoas que estão lá mais tempo”, diz Fernanda, que acredita haver pouca mobilização das gerações mais novas. 

Fernanda destaca a importância do Sindicato para a categoria. “Temos conseguido vitórias importantes. Ano a ano conseguimos a manutenção de direitos básicos, como o piso salarial. Uma categoria organizada é essencial nesse contexto que a gente está vivendo, de perdas de direitos trabalhistas e previdenciários”, afirma.

Para Suzana Tatagiba, no que diz respeito ao contexto atual, há alguns desafios, como a criação de novos postos de trabalho e o acúmulo de função, que impede a manutenção da qualidade do trabalho jornalístico, além da luta por melhores salários. 

A diretoria da entidade também é formada, hoje, por Douglas Dantas (coordenador-geral); Vivia Fernandes (coordenação de Administração); Lucyano Ribeiro (coordenação de Finanças);  Julio César P. Rodrigues -  Pater (coordenação de Trabalho e Negociação Salarial; Ricardo Medeiros (coordenação Jurídica); e Suzana Tatagiba (coordenação de Formação Sindical e Relações Institucionais e Sociais).

 

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